O discurso de austeridade e responsabilidade fiscal voltou a ser confrontado pelos números oficiais da própria administração federal. Em novembro de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou um patamar inédito na estrutura pública: 50.770 cargos comissionados ativos, o maior volume já registrado na história recente da administração federal.
Desde janeiro de 2023, início do atual mandato, 4,4 mil novos cargos comissionados foram criados. Essas funções são destinadas, majoritariamente, a postos de direção, chefia e assessoramento, ampliando significativamente a estrutura política e administrativa do governo.
Os cargos estão distribuídos por ministérios, autarquias e fundações públicas, abrangendo tanto servidores de carreira quanto pessoas externas à administração pública. Segundo os dados oficiais, 53% dessas vagas estão concentradas na administração direta, enquanto os 47% restantes se espalham por órgãos vinculados.
O crescimento do número de cargos comissionados ocorre em meio a um cenário de pressão fiscal, debates sobre controle de gastos e reiteradas cobranças por mais eficiência no uso do dinheiro público. A expansão da máquina levanta questionamentos sobre prioridades administrativas, sobretudo diante das dificuldades enfrentadas em áreas sensíveis como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.
Na prática, os números expõem uma contradição clara entre o discurso político e a realidade administrativa. Enquanto o governo fala em equilíbrio e responsabilidade, a estrutura estatal segue crescendo — e quem paga essa conta, direta ou indiretamente, é o contribuinte.
O recorde histórico de cargos comissionados não é apenas um dado burocrático. Ele traduz uma opção política: mais cargos, mais indicações e mais custo permanente para o Estado brasileiro.





