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Lula descobre o “orçamento invisível” e prepara R$ 220 bilhões para 2026
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Lula descobre o “orçamento invisível” e prepara R$ 220 bilhões para 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já trabalha nos bastidores com um amplo pacote de medidas para 2026 que envolve renovação e ampliação de programas sociais, expansão do crédito e aumento significativo de gastos públicos. O pano de fundo é claro: o próximo ano será eleitoral, e Lula pretende disputar um quarto mandato à Presidência da República.

Ao todo, são pelo menos dez iniciativas em estudo que, somadas, ultrapassam R$ 220 bilhões. Uma parte relevante desse volume envolve crédito privado estimulado pelo governo, mas o impacto final recai sobre as contas públicas. Mais de um terço desse montante ficará fora do cálculo do déficit primário, mecanismo que exclui despesas que não entram formalmente na meta fiscal, embora aumentem a dívida pública.

Na prática, o Palácio do Planalto sinaliza que pretende repetir, em 2026, o mesmo padrão adotado desde 2024: ampliar gastos por caminhos paralelos ao arcabouço fiscal aprovado em 2023. A estratégia preserva o discurso de responsabilidade formal, mas empurra o custo real para o endividamento.

Dados da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, mostram que, sob o governo Lula 3, as despesas excluídas da meta fiscal já somam cerca de R$ 170 bilhões. Esse número inclui gastos de estatais e programas que não entram no resultado primário, mas pressionam diretamente a dívida do país.

Entre as iniciativas em avaliação estão programas como o Gás do Povo e linhas de crédito parcialmente subsidiadas para moradia. Ambos devem ficar fora do arcabouço fiscal, ainda que ampliem o endividamento, justamente por gerarem efeitos políticos positivos junto ao eleitorado. Não se trata de novidade: o aumento de gastos em anos eleitorais é prática recorrente no Brasil, usada historicamente para melhorar a avaliação de governos que buscam reeleição.

A diferença, neste caso, está no método. Desde o início do mandato, o governo Lula tem buscado alternativas consideradas heterodoxas para elevar a despesa pública sem que o impacto apareça de forma explícita no resultado fiscal oficial. O objetivo é manter a narrativa de controle das contas enquanto amplia a capacidade de gasto.

Para 2026, o próprio arcabouço fiscal prevê um resultado primário positivo de 0,25% do PIB. No entanto, a margem de tolerância permite variação de até 0,25% para cima ou para baixo. Na prática, analistas já trabalham com a expectativa de resultado primário zero, o que abriria ainda mais espaço para gastos no ano eleitoral.

O cenário desenhado é conhecido: expansão fiscal, aumento da dívida e programas com forte apelo político, embalados por uma contabilidade que preserva a aparência de equilíbrio. O risco, mais uma vez, é empurrar o custo para depois da eleição — e para a conta do contribuinte.