Enquanto Salvador enfrenta desafios históricos nas áreas de saúde, mobilidade e serviços públicos, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 mantém intocado um dos pontos mais sensíveis da relação entre Executivo e Legislativo: as emendas parlamentares dos vereadores.
O orçamento municipal sancionado pelo prefeito Bruno Reis preserva R$ 51,6 milhões para emendas individuais dos 43 vereadores, exatamente o mesmo valor destinado em 2025. A mudança, no entanto, está na forma como esse dinheiro será distribuído.
A partir de 2026, cada vereador poderá indicar R$ 600 mil para a saúde, R$ 300 mil para a educação e R$ 300 mil para outras áreas. Na prática, a saúde dobra sua participação em relação ao ano anterior, enquanto o montante destinado a “outras áreas” encolhe. No total, a divisão resulta em R$ 25,8 milhões para a saúde, R$ 12,9 milhões para a educação e R$ 12,9 milhões para demais setores.
O discurso oficial sustenta que o reforço na saúde responde às demandas da população e ao peso crescente do setor no orçamento da cidade. Ainda assim, a manutenção integral do volume de emendas segue levantando questionamentos sobre prioridades, especialmente em um contexto de forte pressão sobre os cofres públicos.
Paralelamente, o orçamento da Câmara Municipal de Salvador terá um aumento significativo em 2026. O Legislativo passará a contar com R$ 349,5 milhões, um crescimento de 7,5% em relação a 2025. O presidente da Casa, Carlos Muniz, destacou a devolução de R$ 54,9 milhões ao Executivo, valor economizado ao longo do último exercício, como sinal de responsabilidade fiscal.
Outro ponto que chama atenção é o reajuste da verba compensatória dos vereadores. A cota mensal para custear despesas dos mandatos sobe de R$ 34 mil para R$ 39 mil, com previsão de correção futura pela inflação. Embora a Câmara ressalte que o reembolso depende de comprovação documental e fiscalização interna, o aumento reforça o debate sobre custos do Legislativo municipal.
No papel, o orçamento tenta equilibrar investimento social, funcionamento da máquina pública e articulação política. Na prática, a pergunta permanece: o reforço na saúde será suficiente para atender quem mais precisa ou seguirá diluído na engrenagem do poder?





