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Depois de “enxugar gelo”, Angelo Coronel vê o próprio espaço derreter na base do governo
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Depois de “enxugar gelo”, Angelo Coronel vê o próprio espaço derreter na base do governo

Depois de meses tentando viabilizar sua permanência no centro da chapa majoritária do governo da Bahia para 2026, o senador Angelo Coronel passou a assistir, de forma cada vez mais pública, ao encolhimento de suas chances de reeleição. O esforço para se manter relevante dentro da base governista, simbolizado pelo episódio em que apareceu “enxugando gelo”, acabou se tornando uma metáfora precisa do momento político que atravessa.

Nos bastidores, a leitura é clara: o espaço de Coronel foi sendo gradualmente comprimido por uma estratégia que prioriza uma chapa considerada “puro-sangue”, liderada pelo PT, com nomes como Jaques Wagner, Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues. Nesse desenho, o senador do PSD deixou de ser prioridade e passou a ser tratado como peça negociável.

A situação ficou ainda mais explícita quando o presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, afirmou publicamente que o partido seguirá apoiando o projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues independentemente da posição de Angelo Coronel na chapa. O recado foi direto: o projeto majoritário não gira em torno do senador, e sua presença deixou de ser condição para a aliança.

Para seguir no jogo, Coronel passou a ser pressionado a aceitar uma solução considerada secundária: a suplência ao Senado, com a promessa de que, caso Wagner ou Rui Costa sejam eleitos e eventualmente chamados para ministérios, poderia herdar o mandato. O problema é que essa engenharia depende de variáveis incertas, como o desempenho eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva e rearranjos futuros no governo federal.

Mesmo diante do cenário adverso, Coronel tentou reagir. Ampliou conversas com prefeitos, reforçou bases no interior, intensificou articulações no Senado e chegou a insinuar, em alguns momentos, a possibilidade de uma candidatura fora do arranjo principal. Nada disso, porém, foi suficiente para reverter a percepção de isolamento crescente.

O desgaste também tem raízes mais antigas. Em 2018, Coronel foi incorporado à chapa governista sob resistência de parte dos aliados, o que limitou sua margem de negociação desde o início. Agora, com o grupo no poder há quase duas décadas, a prioridade passou a ser a defesa de uma narrativa de continuidade, ainda que isso signifique sacrificar aliados que já não se encaixam no desenho político idealizado.

Para a oposição, o cenário é visto como uma oportunidade. Uma chapa formada apenas por figuras associadas diretamente aos últimos 20 anos de poder do PT facilitaria o discurso de desgaste e responsabilização pelos problemas acumulados do estado. Nesse contexto, o enfraquecimento de Coronel não é apenas um episódio isolado, mas parte de uma reorganização maior do tabuleiro político baiano.

No fim das contas, o senador se vê diante de uma escolha difícil: aceitar um papel coadjuvante para continuar no projeto governista ou arriscar-se a um isolamento ainda maior. O gelo que tentou enxugar derreteu rápido demais — e expôs, de forma pública, os limites do seu espaço dentro da base que ajudou a sustentar.