Uma reunião fora da agenda oficial do Palácio do Planalto colocou ainda mais pressão sobre o caso envolvendo o Banco Master e reforçou questionamentos sobre a relação entre governo, mercado financeiro e decisões institucionais.
Segundo revelou a colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu em dezembro de 2024 com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um encontro que não foi registrado oficialmente. Também participou da conversa Gabriel Galípolo, à época indicado por Lula para comandar o Banco Central.
A reunião teria durado cerca de uma hora e meia e foi intermediada por Guido Mantega, que mais tarde viria a atuar como consultor do próprio Banco Master, com remuneração milionária. Estiveram presentes ainda os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira, além de Augusto Lima, então CEO da instituição financeira.
O encontro ocorre em um contexto sensível. Já sob a presidência de Galípolo no Banco Central do Brasil, o BC vetou a venda do Banco Master ao BRB e determinou a liquidação da instituição, citando indícios de fraudes financeiras estimadas em cerca de R$ 12 bilhões.
Apesar da gravidade do caso, o fato de o encontro não constar na agenda oficial do presidente reforça críticas sobre falta de transparência e alimenta desconfianças sobre possíveis articulações nos bastidores do poder. O governo não apresentou explicações públicas detalhadas sobre o teor da conversa nem sobre os motivos do sigilo.
Nos bastidores de Brasília, o episódio é visto como mais um elemento que fragiliza o discurso de distanciamento entre o governo federal e interesses privados, especialmente quando decisões técnicas passam a ser analisadas sob o peso de encontros políticos não formalizados.
Enquanto isso, a sociedade segue sem respostas claras — e o caso Banco Master continua cercado por silêncio, sigilo e questionamentos.





