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Falsos flanelinhas, armas e domínio: CV consolida poder no Rio Vermelho
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Falsos flanelinhas, armas e domínio: CV consolida poder no Rio Vermelho

O que antes era símbolo de boemia, cultura e turismo em Salvador agora passa a figurar como mais um território sob influência direta do crime organizado. O bairro do Rio Vermelho, impulsionado pela proximidade com o Complexo do Nordeste de Amaralina, entrou definitivamente no radar do Comando Vermelho (CV), segundo investigação da Polícia Civil.

A presença da facção não se limita a pichações ou ameaças veladas. O domínio vem sendo exercido de forma estruturada, contínua e estratégica, inclusive por meio de um esquema de falsos flanelinhas, utilizado como instrumento de controle territorial e arrecadação ilegal.

De acordo com a Polícia Civil da Bahia, a cobrança ilegal por vagas de estacionamento no bairro era realizada por integrantes do CV. O método, aparentemente simples, tinha função clara: marcar presença, intimidar moradores e afastar facções rivais, como o Bonde do Maluco (BDM).

A investigação revelou ainda imagens que escancaram o nível de ousadia do grupo. Um dos suspeitos aparece em fotografia portando um fuzil e uma pistola, ao lado de integrantes do CV do Nordeste de Amaralina. A cena desmonta qualquer tentativa de minimizar a gravidade da situação.

Segundo o delegado Nilton Borba, titular da 28ª Delegacia Territorial, o esquema foi desmantelado após a prisão de três suspeitos, todos ligados diretamente ao Comando Vermelho. Entre eles está o traficante Adimanel, identificado como um dos homens armados na imagem apreendida.

A operação também levou à prisão de Carlos Alberto Santos Silva, conhecido como “Fumaça”, apontado como liderança do esquema criminoso. Ele foi detido no último dia 9, no próprio Rio Vermelho, o que reforça o grau de infiltração da facção em uma das áreas mais valorizadas da capital baiana.

Para a Polícia Civil, os falsos flanelinhas não eram um detalhe periférico, mas parte de uma engenharia criminosa pensada para justificar a circulação constante do grupo, impor medo e consolidar o domínio local. Um modelo já conhecido em outras regiões da cidade, agora replicado sem pudor em um bairro turístico.

O episódio escancara um problema maior: o avanço do crime organizado sobre áreas simbólicas de Salvador, enquanto o poder público reage sempre depois do estrago feito. O Rio Vermelho não é um caso isolado, é mais um alerta ignorado até virar manchete policial.

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