A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não ficou restrita a Brasília. O revés imposto ao governo Lula no Senado também abriu uma nova frente de desgaste para Jaques Wagner, senador baiano e líder do governo no Congresso. Na Bahia, onde Wagner segue como peça central do projeto petista para 2026, o episódio passou a ser lido não apenas como uma derrota nacional, mas como um sinal de alerta para a articulação política do grupo.
Nos bastidores, petistas baianos avaliam que Wagner virou alvo de cobranças por ocupar justamente o posto responsável por organizar a base governista no Congresso. A missão era garantir votos para aprovar o nome de Messias. O resultado, no entanto, foi o oposto do esperado e expôs uma articulação considerada frágil por parte de aliados. Ainda assim, dentro do próprio PT há quem considere injusto colocar toda a conta no colo do senador baiano.
A defesa de Wagner parte de um argumento simples: ele teria sido traído. Segundo aliados, alguns senadores haviam sinalizado apoio a Messias antes da votação, mas mudaram de posição no momento decisivo. Para esse grupo, a derrota não foi individual, mas coletiva. Ou seja, não teria sido apenas uma falha de Wagner, mas um tropeço do governo Lula como um todo. A política, como sempre, cobrou no detalhe aquilo que havia sido prometido no discurso.
Mesmo entre os que defendem o senador, há o reconhecimento de que a articulação deixou buracos. Um dos pontos mais comentados é a relação distante entre Wagner e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Segundo a avaliação de parlamentares ouvidos pela reportagem original, Wagner estaria há meses sem diálogo direto com Alcolumbre, justamente uma das figuras mais influentes da Casa. E aí mora o problema: em Brasília, quem não conversa, perde espaço. E quem perde espaço, perde voto.
A leitura de aliados é que Davi Alcolumbre tem forte controle sobre o Senado e que o governo errou ao deixar a articulação correr solta demais. Em uma votação desse tamanho, confiança demais costuma custar caro. O episódio do “cochicho” entre Wagner e Alcolumbre antes da divulgação do resultado virou símbolo desse desencontro. Parecia haver tentativa de entendimento, mas já era tarde. O placar mostrou que a base não estava tão amarrada quanto o governo imaginava.
O desgaste reacendeu uma discussão antiga dentro do grupo petista baiano: Jaques Wagner deveria continuar dividindo seu tempo entre Brasília e Bahia? Para alguns aliados, a resposta começa a ficar cada vez mais clara. Eles defendem que o senador deixe a liderança do governo no Congresso e concentre energia no tabuleiro baiano, especialmente diante da eleição estadual que se aproxima. Na prática, o sonho de parte do PT é ver Wagner menos preso às crises de Brasília e mais presente na construção política da Bahia.
A possibilidade de deixar a liderança não é nova. Wagner já teria cogitado esse movimento antes, mas foi convencido por aliados próximos a permanecer no cargo, sob o argumento de que ainda poderia ajudar Lula a aparar arestas no Congresso. Só que a derrota de Messias mudou o clima. O que antes parecia uma missão estratégica passou a carregar um custo político alto demais, principalmente para quem precisa manter força em seu próprio estado.
Nos bastidores, um aliado próximo resumiu o sentimento de parte do grupo: seria ótimo ter Wagner mais focado na Bahia. A frase revela mais do que uma preferência eleitoral. Mostra a preocupação com o desgaste de um nome que ainda tem peso, história e influência, mas que agora aparece associado a uma derrota dura do governo federal.
No fim das contas, o caso Messias virou mais do que uma disputa por uma cadeira no Supremo. Virou um teste de força para o governo Lula, um desgaste para Wagner e um recado para o PT baiano. Brasília cobra caro. E, às vezes, a conta chega justamente onde o partido mais precisa estar forte: em casa.





