A eleição presidencial na Bahia começa a ganhar contornos cada vez mais regionais, e o Oeste baiano pode se transformar em uma das principais trincheiras da direita no estado.
O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP), defendeu que a eventual campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República tenha uma estratégia própria para cada região da Bahia. Para ele, não adianta imaginar uma campanha única, engessada, tentando falar com realidades completamente diferentes da mesma forma.
A leitura é simples: na Bahia, cada território tem seu peso, sua linguagem e seu comportamento político. E o Oeste, segundo Marabá, tem uma identificação mais forte com a direita, o agronegócio e o eleitorado conservador.
Marabá afirmou que Luís Eduardo Magalhães e toda a região oeste possuem um perfil político mais favorável ao campo bolsonarista. Por isso, defende que Flávio tenha um palanque regionalizado, com lideranças locais assumindo protagonismo na campanha.
Na prática, o prefeito sinaliza que a direita baiana não deve depender apenas de grandes acordos estaduais. O jogo também será jogado no chão dos municípios, nas bases políticas e nas lideranças que conseguem conversar diretamente com o eleitor.
A movimentação chama atenção porque Marabá está reaproximado de ACM Neto (União Brasil), que deve caminhar com Ronaldo Caiado (PSD) no plano nacional. Mesmo assim, o prefeito vê espaço para Flávio Bolsonaro construir uma estrutura própria na Bahia, especialmente em regiões onde o nome da família Bolsonaro ainda mantém força eleitoral.
A esposa do prefeito, Cinthya Marabá (PL), também entra nesse tabuleiro. Cotada para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, ela deve reforçar o palanque de Flávio no Oeste, funcionando como uma ponte entre a candidatura presidencial e as bases locais.
Marabá ainda avalia que Flávio pode apresentar um desempenho competitivo no estado. Segundo ele, o senador tem um perfil mais moderado, agregador e acolhedor em comparação com Jair Bolsonaro, o que poderia ajudar a ampliar apoios e reduzir resistências.
O recado, no fim das contas, é direto: se quiser crescer na Bahia, Flávio Bolsonaro vai precisar entender que o estado não se vence apenas com discurso nacional. Vai ter que pisar no barro, conversar com as regiões e montar palanques onde a direita ainda respira com força.
No Oeste, pelo visto, essa porta já está aberta.





