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Roma mira Rui e diz que “o bicho está pegando” no PT
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Roma mira Rui e diz que “o bicho está pegando” no PT

O clima da pré-campanha para 2026 na Bahia ganhou mais um capítulo de artilharia pesada. Nesta segunda-feira (25), o ex-ministro e pré-candidato ao Senado, João Roma (PL), subiu o tom contra Rui Costa (PT), também cotado para a disputa ao Senado, e afirmou que o petista seria um político de “sabor pobre”.

A declaração foi dada durante entrevista à rádio Baiana FM. Roma criticou o que considera uma contradição entre o discurso de origem humilde sustentado por Rui Costa e o estilo de vida que, segundo ele, o ex-governador e atual ministro leva há mais de duas décadas na vida pública.

“Rui Costa é sabor pobre. Ele gosta muito de dizer que é da pobreza, das origens. Agora, merecidamente, eu soube que ele tá de férias na Europa, não está na Ribeira ou aproveitando a nossa Bahia de Todos os Santos. Acho justo, merecido. Eu só critico justamente as pessoas que ficam todo o tempo escondendo os benefícios de uma vida que conquistou com seu salário, melhor que a maioria dos baianos. Acho justo ele aproveite sua vida e tenha esses benefícios, mas não acho correto ele manipular o cidadão baiano, querendo colocar uma capa de pobreza e humildade”, declarou.

A fala mira diretamente em um dos ativos políticos mais explorados pelo PT na Bahia: a narrativa de proximidade com o povo. Roma não questionou o direito de Rui Costa aproveitar os benefícios de sua trajetória política, mas acusou o petista de usar uma “capa de pobreza e humildade” para se conectar com o eleitorado.

Em outras palavras, o recado foi simples: uma coisa é ter origem popular. Outra é vender simplicidade como peça de propaganda enquanto se vive uma realidade bem distante da maioria dos baianos.

Roma também atacou a tentativa do PT de mostrar unidade interna entre Rui Costa e Jaques Wagner. Para ele, a propaganda petista que exibe os dois como grandes aliados seria uma “hipocrisia”.

“Uma hipocrisia. Você vê a propaganda do PT, está lá Rui Costa abraçado com Jaques Wagner, como se fossem irmãos, felizes da vida. Mas sabemos todos que o bicho tá pegando entre eles. É toda hora um dando uma rasteira no outro”, afirmou.

O pré-candidato ao Senado ainda citou comentários de bastidores segundo os quais Rui Costa estaria defendendo a tese de retirar Jerônimo Rodrigues (PT) da disputa pelo governo da Bahia. A justificativa, segundo Roma, seria a avaliação de que Jerônimo “não ia pra lugar nenhum”.

A declaração expõe um ponto sensível no grupo governista. De um lado, o PT tenta transmitir imagem de coesão, força e continuidade. Do outro, adversários trabalham para transformar qualquer ruído interno em sinal de desgaste de um projeto que comanda a Bahia há quase duas décadas.

A crítica de Roma não vem por acaso. Em uma disputa que deve ter o Senado como uma das vitrines mais importantes de 2026, Rui Costa aparece como um dos nomes mais fortes do campo petista. Atacá-lo agora é também tentar desgastar sua imagem antes que a campanha comece oficialmente.

No tabuleiro baiano, a oposição parece ter encontrado uma linha de ataque: questionar a autenticidade do discurso petista e apontar possíveis rachaduras internas entre os principais nomes do grupo. Rui, Wagner e Jerônimo aparecem juntos na propaganda. Mas, segundo Roma, nos bastidores a história seria bem diferente.

Resta saber se essa briga ficará apenas no campo das provocações ou se vai revelar, mais adiante, uma disputa real pelo comando do projeto petista na Bahia. Porque na política baiana, quando o abraço aparece demais na propaganda, vale sempre olhar se não tem cotovelo afiado por trás.

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