ACM Neto (União Brasil) tentou colocar um freio na tentativa de nacionalizar a disputa política baiana. Em meio à polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo do estado afirmou que o foco da oposição precisa ser outro: a Bahia.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (25), durante o lançamento do Camarote LEM, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano. Questionado sobre os desgastes recentes ligados ao senador Flávio Bolsonaro, Neto defendeu que qualquer investigação seja conduzida com seriedade, mas deixou claro que esse episódio não deve interferir na estratégia da oposição para 2026.
Segundo ACM Neto, o debate do grupo oposicionista é sobre os problemas baianos. Em outras palavras, ele tenta separar o palanque estadual das turbulências nacionais, especialmente em um momento em que aliados e adversários observam cada movimento de aproximação ou distanciamento entre o União Brasil e o bolsonarismo.
A fala não é à toa. A oposição baiana sabe que a eleição de 2026 não será vencida apenas no grito ideológico. A disputa deve passar por temas bem mais concretos: segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, economia e presença do governo no interior. É nesse terreno que Neto quer jogar.
Durante a entrevista, o ex-prefeito também rebateu a repercussão de uma fala feita na sexta-feira (22), quando teria minimizado o peso do apoio de prefeitos ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Neto chamou o episódio de “falsa polêmica” e afirmou que houve um corte descontextualizado da sua declaração.
Ele disse que não pretende “render” o assunto e lamentou que alguns veículos tenham dado espaço ao que classificou como uma fala manipulada. A resposta mostra que o pré-candidato também busca evitar ruídos com gestores municipais, justamente em um momento em que a corrida pelo apoio dos prefeitos começa a ganhar força.
E aí está o ponto sensível. Na Bahia, prefeito pesa. Liderança local pesa. Base municipal pesa. Por mais que Salvador e os grandes centros ajudem a formar narrativa, é no interior que boa parte da eleição se decide. E tanto Neto quanto Jerônimo sabem disso muito bem.
A agenda de ACM Neto no oeste baiano também segue nessa lógica. Ele afirmou que sua programação na região já está definida para o dia 12 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, ao lado do prefeito Júnior Marabá (PP) e de lideranças locais.
Sobre uma eventual presença de Flávio Bolsonaro ou de outras lideranças nacionais na Bahia Farm Show, Neto disse não ter confirmação. Mais uma vez, preferiu não alimentar especulações que possam tirar o foco da pauta estadual.
No fim das contas, a mensagem de ACM Neto foi calculada: a disputa dele é contra Jerônimo, não contra manchetes nacionais. O desafio, agora, será sustentar esse discurso enquanto a política baiana segue atravessada por alianças, apoios nacionais e interesses locais.
Porque, em ano pré-eleitoral, toda frase vira munição. E na Bahia, quando o jogo começa, até silêncio vira recado.





