A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente. Dois fortes terremotos atingiram o norte do país na quarta-feira, 24 de junho, provocando mortes, desabamentos e destruição em diferentes áreas.
O primeiro tremor, de magnitude 7,2, foi registrado às 18h04 no horário local, equivalente às 19h04 em Brasília. Apenas 39 segundos depois, um segundo terremoto, ainda mais forte, alcançou magnitude 7,5.
Os epicentros ficaram separados por aproximadamente 45 quilômetros, ambos a sudeste de Yumare. Depois dos dois abalos principais, diversas réplicas foram registradas.
Número de vítimas pode aumentar
Até a atualização publicada nesta quinta-feira, 25 de junho, ao menos 188 pessoas haviam morrido e 1.520 estavam feridas.
Cerca de 200 pessoas ainda permaneciam presas sob os escombros. Equipes de emergência continuavam atuando na localização de desaparecidos e na retirada de vítimas das estruturas destruídas.
O balanço, portanto, ainda era provisório e poderia aumentar à medida que os trabalhos avançassem nas áreas mais atingidas.
Os terremotos causaram pânico, derrubaram edificações e provocaram danos estruturais em prédios. Um hotel está entre os imóveis destruídos mostrados nas imagens que circularam após o desastre.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo venezuelano, também foi fechado.
Maior terremoto desde 1900
O tremor de magnitude 7,5 foi o mais forte registrado na Venezuela em mais de 125 anos.
O país não enfrentava um terremoto dessa intensidade desde 29 de outubro de 1900, quando um sismo de magnitude 8 atingiu Caracas. O episódio ficou conhecido como Terremoto de São Narciso.
Na ocasião, 21 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Prédios públicos e residências particulares sofreram graves danos, com desabamentos, quedas de rochas, deslizamentos e avalanches sísmicas.
O terremoto de 1900 ainda provocou mais de 250 réplicas ao longo de vários meses. Parte da população precisou deixar suas casas e passou a viver temporariamente em praças e terrenos abertos.
Movimento entre placas tectônicas
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, os terremotos foram provocados por um movimento superficial de deslizamento lateral próximo à fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.
Nessa região, a placa do Caribe se desloca para leste em relação à placa sul-americana a uma velocidade aproximada de 20 milímetros por ano.
O órgão explicou que a ocorrência de dois terremotos de magnitude semelhante, em locais próximos e dentro de um intervalo tão curto, provavelmente indica uma interação complexa entre as rupturas geológicas.
Magnitude não é o único fator
Apesar da força dos tremores, a magnitude não determina sozinha o grau de destruição causado por um terremoto.
A profundidade do foco, a distância do epicentro, as características do solo, a qualidade das construções e a densidade populacional também influenciam diretamente os impactos.
Regiões formadas por solos instáveis, como areia e argila, podem sofrer efeitos mais intensos do que áreas construídas sobre materiais firmes, como o granito. Edificações pouco preparadas para abalos sísmicos também elevam o risco de desabamentos e mortes.
Uma tragédia que ainda está em andamento
O desastre venezuelano já entrou para a história pela força dos tremores e pelo elevado número de vítimas. Mas a dimensão total da tragédia ainda depende do avanço das buscas.
Com centenas de feridos e pessoas presas entre estruturas destruídas, cada hora passou a ser decisiva para as equipes de emergência.
Não se trata apenas de números, magnitudes ou recordes históricos. São famílias inteiras atingidas por uma tragédia que aconteceu em menos de um minuto, e cujas consequências podem permanecer por muitos anos.

