A menos de três meses do início oficial da campanha eleitoral, um dos principais nomes da política baiana fez uma avaliação que repercutiu nos bastidores. O senador Angelo Coronel afirmou acreditar que a Bahia vive um momento favorável à alternância de poder e que percebe, durante suas viagens pelo interior, um sentimento crescente de mudança entre o eleitorado.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa Vem Que Tem, da Rádio Sociedade.
Segundo Coronel, a percepção surgiu após encontros recentes com prefeitos, vereadores e lideranças políticas em municípios do interior, especialmente em Conceição do Coité.
“O que a gente sente é o desejo da mudança.”
Apesar da avaliação, o senador fez questão de afirmar que sua análise não representa necessariamente uma reprovação ao governador Jerônimo Rodrigues.
“Não é porque o atual governador seja ruim ou seja bom. Todos têm suas virtudes, seus méritos, como também têm seus deméritos.”
O ciclo de 20 anos
Para justificar sua tese, Angelo Coronel traçou um paralelo histórico com as mudanças de comando político na Bahia.
Segundo ele, o estado costuma viver ciclos de aproximadamente duas décadas.
O senador lembrou que, em 1986, a vitória de Waldir Pires representou o encerramento de um longo período de predominância do grupo carlista.
Vinte anos depois, em 2006, Jaques Wagner venceu as eleições e iniciou a sequência de governos do PT, que permanece no comando da Bahia até hoje.
Na avaliação de Coronel, 2026 pode marcar uma nova virada.
“Se você fizer a conta com mais 20 anos, daria 2026. É a mudança.”
A declaração ganha peso por partir de um senador que integra a base do governo federal e mantém diálogo constante com diferentes grupos políticos do estado.
Redes sociais mudaram o jogo
Outro ponto destacado por Coronel foi a perda de influência das lideranças municipais sobre o comportamento do eleitor.
Segundo o senador, durante muitos anos a força política dos prefeitos era determinante para definir eleições no interior. Hoje, esse cenário seria diferente.
Para ele, a popularização da internet e das redes sociais reduziu significativamente a capacidade de prefeitos e vereadores de direcionarem o voto da população.
“Não adianta só contabilizar que tem 90% dos prefeitos.”
Coronel afirmou que o eleitor passou a receber informações diretamente pelo celular, tornando-se mais independente das estruturas políticas tradicionais.
“Tem hora que o prefeito e o vereador não têm condições de mudar o voto. Hoje, depois do advento da rede social, é difícil você controlar.”
Interior mais conectado
Na avaliação do senador, até mesmo pequenos municípios passaram por uma transformação na forma como a população consome informação.
Segundo ele, o eleitor do interior está mais conectado, acompanha o debate político pelas plataformas digitais e toma decisões cada vez menos influenciadas pelas lideranças locais.
A leitura reforça uma avaliação que vem sendo compartilhada por diferentes analistas políticos: a eleição de 2026 tende a ser marcada por uma disputa muito mais concentrada na comunicação digital do que na força das estruturas partidárias tradicionais.
OPINIÃO SOBERANA
As declarações de Angelo Coronel chamam atenção não apenas pelo conteúdo, mas por quem as fez. Integrante da base governista, o senador reconhece publicamente que percebe um ambiente de desejo por mudança em suas conversas pelo interior da Bahia.
Ao afirmar que “não adianta ter 90% dos prefeitos” e que as redes sociais mudaram a lógica das eleições, Coronel também sinaliza que o peso das máquinas políticas pode não ser suficiente para garantir o resultado nas urnas em 2026.
Se essa percepção se confirmará nas urnas, só o eleitor poderá responder. Mas o fato de essa avaliação partir de um aliado do próprio campo governista amplia o impacto político da declaração e alimenta ainda mais o debate sobre o futuro da Bahia.





