Médicos relatam sobrecarga, falta de plantonistas e defasagem nos pagamentos por serviços de alta complexidade
Uma nova crise atinge o Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador. Um grupo formado por 25 cirurgiões-gerais comunicou ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) o desligamento programado das escalas da unidade, após, segundo os profissionais, cinco meses sem receber pelos serviços prestados.
Além do atraso nos pagamentos, os médicos também relataram uma rotina de sobrecarga de trabalho provocada pela falta de plantonistas, situação que teria aumentado a pressão sobre as equipes que permanecem atuando no hospital.
Outro ponto levantado pelos cirurgiões é a defasagem dos valores pagos em relação à complexidade dos procedimentos realizados. Segundo o relato encaminhado ao conselho, a remuneração não estaria acompanhando o nível de responsabilidade e exigência das atividades de alta complexidade desempenhadas na unidade.
Diante da situação, o Cremeb informou que já havia procurado anteriormente a gestão do Hospital Geral Roberto Santos. Após receber formalmente a denúncia dos profissionais, o conselho decidiu oficiar a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério Público, levando o caso ao conhecimento dos órgãos.
A possibilidade de saída de 25 cirurgiões das escalas acende um alerta sobre a manutenção dos atendimentos e procedimentos cirúrgicos no hospital, considerado uma das principais unidades públicas de saúde da Bahia.
De acordo com informações publicadas pelo Jornal Correio, tanto a Sesab quanto o Ministério Público foram procurados para comentar o episódio. Até a publicação da matéria original, os dois órgãos ainda não haviam apresentado manifestação.
O caso amplia os questionamentos sobre as condições de trabalho e a estrutura de atendimento na rede estadual de saúde e agora aguarda posicionamento oficial da gestão sobre os pagamentos atrasados e as medidas que poderão ser adotadas para evitar prejuízos à assistência dos pacientes.





