Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

/
/
Tarifaço americano atinge a Bahia e expõe fragilidade das exportações
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Tarifaço americano atinge a Bahia e expõe fragilidade das exportações

Levantamento da Confederação Nacional de Municípios revela retração de 10,2% nas vendas baianas aos Estados Unidos. Setor de celulose está entre os mais atingidos e maioria dos municípios exportadores registra perdas.

A guerra comercial promovida pelos Estados Unidos começou a produzir consequências importantes para a economia baiana.

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), na segunda-feira (19), revelou que as exportações da Bahia para o mercado norte-americano sofreram uma retração de 10,2% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores.

Segundo os dados apresentados, a redução nas receitas chegou a US$ 89,1 milhões.

O setor de celulose aparece como o principal segmento afetado no estado.

Os números evidenciam a vulnerabilidade de cadeias produtivas que dependem de mercados internacionais e estão sujeitas a mudanças nas políticas comerciais de outros países.
Maioria dos municípios exportadores perdeu receita
O levantamento identificou 70 municípios baianos que realizaram exportações para os Estados Unidos nos dois períodos analisados.

Desse conjunto, 69% registraram redução no valor das vendas.

Os outros 31% conseguiram ampliar suas exportações, demonstrando que os impactos não foram uniformes.

A diferença entre os resultados pode estar relacionada aos produtos comercializados, à capacidade de adaptação das empresas e às condições específicas de cada cadeia produtiva.

O cenário, entretanto, revela que a maioria dos municípios baianos com relações comerciais com os Estados Unidos enfrentou dificuldades.
Prejuízos atingem mais de mil municípios brasileiros
A situação da Bahia integra um problema de dimensão nacional.

De acordo com a CNM, 1.135 municípios brasileiros sofreram impactos negativos no comércio com os Estados Unidos.

Desse total, 271 interromperam completamente suas exportações para o mercado norte-americano.

Antes das restrições comerciais, essas localidades movimentavam aproximadamente R$ 588 milhões em vendas.

Outros 864 municípios registraram queda média de 30% no valor exportado.

A pesquisa também identificou dificuldades na busca por mercados alternativos.

Em 657 municípios afetados, o equivalente a 58% do total, o aumento das exportações para outros países não foi suficiente para compensar as perdas no mercado norte-americano.
Celulose, petróleo e café entre os setores atingidos
O levantamento destaca cinco cadeias produtivas especialmente afetadas pelas mudanças comerciais:

  • Petróleo;
  • Café;
  • Suco de laranja;
  • Ferro-gusa;
  • Silvicultura.
    Somadas, as perdas desses segmentos alcançaram aproximadamente US$ 1 bilhão.

No setor de petróleo, a quantidade exportada caiu 28%.

No café, a retração no volume embarcado chegou a 43%.

O suco de laranja apresentou comportamento diferente: o volume exportado cresceu 13,6%, mas o preço médio sofreu redução de 33,7%.

Ferro-gusa e silvicultura também registraram diminuição tanto dos volumes comercializados quanto dos preços médios.
Nordeste também sente os efeitos
Em valores absolutos, o Sudeste concentrou a maior redução nas exportações para os Estados Unidos, com perdas de US$ 4,75 bilhões.

O Sul apareceu na sequência, com retração de US$ 1,75 bilhão.

No Nordeste, a queda registrada foi de US$ 125,2 milhões.

Embora o impacto regional seja menor em valores absolutos, a dependência de determinadas atividades econômicas pode ampliar os efeitos locais das restrições comerciais.

Municípios com menor diversificação produtiva tendem a enfrentar dificuldades adicionais quando uma de suas principais fontes de receita externa é comprometida.
Dependência comercial coloca municípios em risco
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o cenário reforça a necessidade de diversificação dos mercados internacionais.

O dirigente defende o fortalecimento da produção local e a ampliação das relações comerciais com outros países.

A avaliação considera que medidas protecionistas, barreiras comerciais e conflitos geopolíticos podem produzir efeitos duradouros sobre as economias municipais.

A dependência excessiva de um único mercado consumidor representa um risco para empresas, trabalhadores e administrações municipais.
A Bahia precisa transformar o alerta em estratégia
O levantamento revela um problema que ultrapassa a política comercial dos Estados Unidos.

A questão também envolve a capacidade do Brasil e da Bahia de diversificar mercados, agregar valor à produção e reduzir vulnerabilidades econômicas.

O estado possui cadeias produtivas relevantes, mas a competitividade internacional depende de infraestrutura, logística, tecnologia e políticas de desenvolvimento industrial.

A retração nas exportações não permite concluir, isoladamente, quantos empregos foram perdidos ou qual foi o impacto direto sobre a arrecadação dos municípios baianos.

Esses efeitos exigem levantamentos específicos.

Entretanto, a redução das vendas externas já representa um sinal de alerta.

Para O Soberano da Bahia, o desafio não está apenas em reagir às decisões de Washington, mas em construir uma economia estadual menos vulnerável às mudanças do comércio internacional.

A diversificação produtiva precisa deixar de ser apenas uma recomendação e passar a integrar uma estratégia permanente de desenvolvimento.

Nota de checagem: a reportagem original apresenta US$ 89,1 milhões como equivalente a R$ 878,2 milhões. Essa conversão exige revisão, pois implica uma cotação cambial incompatível com valores usuais do dólar. Por segurança editorial, esta matéria utiliza o valor em dólares e o percentual de retração, sem reproduzir a equivalência em reais como dado confirmado.

Fonte: Alô Alô Bahia — José Mion, 19/10/2026, às 10h. Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Deixe um comentário