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ACM Neto leva discurso de mudança à Chapada e mira governo Jerônimo
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ACM Neto leva discurso de mudança à Chapada e mira governo Jerônimo

A disputa pelo governo da Bahia em 2026 começa a ganhar cada vez mais corpo no interior do estado. Neste sábado (23), o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo baiano, ACM Neto (União Brasil), esteve em Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, onde participou da Feira Agropecuária e Agricultura Familiar do município.

Durante a agenda, Neto visitou estandes, conversou com moradores, produtores rurais e lideranças políticas da região. A passagem pelo evento foi marcada por uma recepção calorosa, segundo aliados, e serviu como mais uma demonstração de força da oposição em uma área estratégica para qualquer projeto eleitoral na Bahia.

Ao circular pela feira, ACM Neto afirmou ter percebido entre os baianos um sentimento de mudança. Para ele, esse desejo estaria presente não apenas em Morro do Chapéu, mas em toda a Chapada Diamantina e no estado.

“Tivemos aqui a oportunidade de estar ao lado das pessoas, receber o carinho de toda a região. A gente percebe que há um sentimento hoje muito forte, que domina o coração dos baianos, que é o sentimento de mudança, essa esperança do futuro melhor, que está aqui no Morro do Chapéu, que está toda a Chapada Diamantina e está na Bahia”, declarou.

A presença de Neto em Morro do Chapéu também teve peso político. Ele foi recebido pela prefeita Juliana Araújo, que recentemente reforçou apoio à sua pré-candidatura ao governo estadual. A agenda contou ainda com nomes importantes do grupo oposicionista, como o deputado federal Elmar Nascimento, os deputados estaduais Pedro Tavares, Júnior Nascimento e Cafu Barreto, o pré-candidato a deputado estadual Igor Dominguez e o ex-deputado federal José Carlos Araújo.

Também participaram lideranças de outros municípios da região, entre elas o ex-prefeito de Jacobina Luciano da Locar e o vereador Juliano Cruz, que é pré-candidato a deputado estadual.

Em entrevista à imprensa local, ACM Neto afirmou que o grupo de oposição chega para a eleição de 2026 mais forte, mais preparado e mais organizado do que em 2022. O ex-prefeito reconheceu que houve erros na disputa anterior, mas disse que o grupo teve humildade para corrigir falhas e fortalecer o caminho político.

“Primeiro que eu acho que esse ano a gente está muito mais preparado. É claro que a gente cometeu erros na eleição passada e a gente tem humildade de reconhecer isso e procurou ajustar, corrigir e fortalecer o nosso trabalho, o nosso caminho”, afirmou.

Neto também destacou a composição política que deve acompanhá-lo na disputa. Ele citou João Roma e Angelo Coronel como nomes para o Senado em sua chapa, além de Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié, como pré-candidato a vice-governador. Cocá foi reeleito em 2024 com 92% dos votos válidos, número usado pelo grupo como vitrine de força eleitoral no interior.

O tom mais duro da fala ficou reservado ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). ACM Neto disse que, em 2022, Jerônimo teria se escondido “atrás de um número”, em referência à força eleitoral do grupo petista na campanha passada. Agora, segundo ele, o governador terá que enfrentar o peso da própria gestão.

“Agora ele não vai poder fazer isso, vai ter que enfrentar a realidade do governo fraco nesses últimos quatro anos, das promessas não cumpridas, e vamos à luta. O propósito maior e o que nos une a todos é o enfrentamento ao governo aqui da Bahia, e, sobretudo, a incompetência de Jerônimo Rodrigues”, declarou.

A fala resume a estratégia que a oposição deve adotar daqui para frente: transformar a eleição de 2026 em um julgamento direto da gestão Jerônimo. Se em 2022 o governador surfou na força do grupo político que comanda a Bahia há quase duas décadas, agora a cobrança tende a ser outra. Promessa feita, obra cobrada. Discurso bonito, resultado exigido.

No tabuleiro baiano, Morro do Chapéu foi mais uma parada. Mas o recado foi para o estado inteiro. ACM Neto quer mostrar que aprendeu com a derrota, reorganizou o grupo e pretende disputar 2026 batendo diretamente no desempenho do governo estadual.

Resta saber se o tal sentimento de mudança vai virar voto. Porque na Bahia, como a história já mostrou, eleição não se vence só com palanque cheio. Mas também não se governa eternamente apenas com propaganda.

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