O Ministerio Publico Federal (MPF) recomendou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). A controvérsia jurídica agora será analisada pelo Superior Tribunal de Justica (STJ), que deverá decidir se a comissão deve ser efetivamente instaurada.
A CPI tem como objetivo investigar ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no estado da Bahia.
Entenda o impasse
A criação da comissão foi alvo de embate político e jurídico dentro da Assembleia. Parlamentares favoráveis à CPI alegam que foram cumpridos os requisitos regimentais para sua instalação, incluindo número mínimo de assinaturas.
Já setores contrários sustentam questionamentos formais e regimentais que teriam impedido o andamento do pedido.
O Ministério Público Federal, ao se manifestar, entendeu que há fundamentos para que a CPI seja instalada, reforçando o princípio do direito da minoria parlamentar de investigar fatos determinados quando atendidas as exigências constitucionais.
O papel do STJ
Com o conflito judicializado, caberá ao STJ avaliar se houve violação de prerrogativas parlamentares e se a comissão deve ser aberta.
A decisão pode estabelecer precedente relevante sobre o alcance do direito de instalação de CPIs nas assembleias estaduais e sobre os limites da atuação das mesas diretoras no controle desses pedidos.
Análise política: mais que uma CPI, um teste de forças
A disputa em torno da CPI do MST ultrapassa a esfera jurídica. Ela expõe um embate político direto entre oposição e base governista na Bahia.
Para a oposição, a instalação da CPI representa instrumento de fiscalização e oportunidade de investigar denúncias envolvendo ocupações de terra e conflitos no campo.
Para aliados do governo estadual e setores alinhados ao MST, a comissão é vista como movimento de natureza política, com potencial de tensionar o debate agrário e alimentar disputas ideológicas.
A recomendação do MPF adiciona peso institucional ao pedido da CPI, mas a palavra final caberá ao STJ — que, ao decidir, não apenas resolverá um impasse local, como poderá impactar a dinâmica de CPIs em todo o país.
No pano de fundo, está o debate sobre o equilíbrio entre maioria e minoria no Legislativo, a autonomia parlamentar e os limites da judicialização da política.





