O tabuleiro da sucessão presidencial de 2026 começou a se mexer com mais clareza dentro do PSD. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, deu aval explícito para que o governador do Paraná, Ratinho Jr., avance na construção de uma possível candidatura à Presidência da República.
O movimento não é apenas retórico. O partido já encomendou pesquisas internas, previstas para fevereiro, com o objetivo de medir o potencial eleitoral de Ratinho Jr. em diferentes cenários, regiões e faixas sociais. A leitura interna é direta: antes de qualquer anúncio público, o PSD quer números na mesa.
Nos bastidores, o sinal político ficou ainda mais evidente após dois jantares reservados entre Kassab e Ratinho Jr. em São Paulo, realizados em um intervalo de poucos dias. O segundo encontro coincidiu com a divulgação de uma pesquisa presidencial registrada no TSE, o que reforçou a percepção de que o partido começou a tratar o tema com maior seriedade.
No dia seguinte a uma dessas reuniões, Ratinho Jr. adotou um discurso calculado. Disse que aceitaria o “desafio” de disputar a Presidência, caso o PSD faça essa escolha, e voltou a criticar a polarização política que domina o país. Também usou o governo do Paraná como vitrine, destacando avanços na educação ao longo de seus dois mandatos.
A articulação vai além do núcleo partidário. Kassab e Ratinho Jr. participaram recentemente de encontros com empresários, juristas e lideranças nacionais, incluindo nomes como Guilherme Benchimol, Luiza Trajano, Nelson Jobim e Priscila Cruz. O objetivo é claro: testar discurso, imagem e viabilidade junto a setores estratégicos da economia e da opinião pública.
Dentro do PSD, cresce a avaliação de que Ratinho Jr. pode ter boa penetração entre as classes C e D, um eleitorado decisivo em qualquer disputa nacional e considerado essencial para enfrentar o presidente Lula em eventual tentativa de reeleição. Um dos principais entusiastas dessa tese é o ex-senador Jorge Bornhausen, aliado histórico de Kassab.
O cálculo político também passa por São Paulo. Caso o governador Tarcísio de Freitas decida entrar na corrida presidencial, o PSD trabalha para preservar espaço no estado — seja mantendo a vice-governadoria, seja lançando Kassab como alternativa ao governo paulista. Nesse desenho, Ratinho Jr. poderia assumir o papel de candidato nacional do partido ou, em outro cenário, disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.
Fontes da legenda avaliam ainda que, se nomes ligados ao bolsonarismo — como Flávio Bolsonaro — avançarem na disputa, a candidatura de Ratinho Jr. ganharia ainda mais força como opção de centro-direita menos radicalizada.
O fato é que, antes mesmo do início oficial do jogo, o PSD já deixou claro: 2026 não será decidida de última hora, e Ratinho Jr. entrou oficialmente no radar nacional.





