Durante sabatina, candidato do União Brasil afirmou que se registrou como branco, pediu desculpas pela autodeclaração anterior e defendeu que o combate ao racismo comece ainda na educação infantil
O candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto, reconheceu ter errado ao se autodeclarar pardo nas eleições de 2022. Durante sabatina realizada pela TV Aratu, o ex-prefeito de Salvador afirmou que, para o pleito de 2026, registrou-se como branco e disse ter passado por um processo de aprendizado e amadurecimento sobre a questão racial.
Questionado pela jornalista Luanne Ribeiro, Neto admitiu que não compreendeu, na campanha passada, toda a dimensão e a sensibilidade envolvidas no debate. Segundo ele, a identidade racial não deve ser analisada apenas a partir do que consta em documentos, mas também pela forma como a pessoa é vista pela sociedade, por sua trajetória e pelo contexto social em que está inserida.
O candidato também pediu desculpas às pessoas que possam ter se sentido ofendidas pela declaração feita em 2022. Ao reconhecer publicamente o equívoco, ACM Neto afirmou que não tem dificuldade em admitir erros e destacou que o episódio contribuiu para seu amadurecimento pessoal e político.
Em um ambiente político no qual muitos preferem fugir de responsabilidades ou insistir em versões convenientes, o mea-culpa representa uma tentativa de encerrar a polêmica com transparência. Neto ainda sustentou que o aprendizado adquirido ao longo dos últimos anos o tornou mais preparado para disputar novamente o comando do Estado.
Letramento racial desde a infância
Durante a entrevista, ACM Neto também apresentou uma proposta para ampliar o letramento racial nas escolas públicas da Bahia, caso seja eleito governador.
A ideia defendida pelo candidato é que o combate ao preconceito e ao racismo estrutural comece ainda na educação infantil, e não apenas entre estudantes mais velhos. Para Neto, é nos primeiros anos de convivência escolar que crianças começam a formar valores, princípios e a própria percepção sobre a sociedade.
A proposta prevê que o tema seja trabalhado desde a base da formação cidadã, contribuindo para que novas gerações cresçam mais conscientes sobre respeito, igualdade e diversidade.
Apesar do compromisso anunciado, ainda não foram apresentados detalhes sobre orçamento, cronograma, formação de professores, conteúdo pedagógico ou a inclusão formal da medida no plano de governo.
Ao reconhecer o erro e transformar a polêmica em uma proposta concreta para a educação, ACM Neto tenta demonstrar que amadurecimento político também passa pela capacidade de ouvir, aprender e corrigir o rumo.





