A Polícia Federal abriu uma investigação que coloca sob suspeita um contrato firmado durante a gestão da prefeita Moema Gramacho, em Lauro de Freitas.
O alvo: um acordo de aproximadamente R$ 16 milhões, voltado para a implementação de uma solução de ensino à distância, que incluía a entrega de 21,3 mil tablets para a rede municipal.
A operação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens nas cidades de Salvador e Lauro de Freitas. Na capital, agentes estiveram no edifício Mundo Plaza, no Caminho das Árvores.
Segundo as investigações, o contrato — assinado em dezembro de 2020 e inicialmente previsto para durar quatro meses — foi prorrogado e seguiu em execução até agosto de 2022.
O problema não está apenas no valor, mas na forma.
De acordo com a PF, há indícios de um conjunto de irregularidades que vão além de falhas administrativas. Entre os pontos levantados estão:
possível direcionamento da licitação
restrição à concorrência
superfaturamento
inclusão indevida de itens no contrato
uso de documentos falsos
manipulação de preços para justificar aditivos
Outro detalhe chama atenção: embora a empresa contratada esteja sediada na Bahia, a execução do serviço teria sido realizada por uma empresa de Santa Catarina, levantando dúvidas sobre a real capacidade técnica da contratada.
Na prática, o que se investiga é um modelo já conhecido do brasileiro: contratos públicos que começam com uma justificativa legítima — neste caso, a educação digital — mas acabam cercados por suspeitas de irregularidades.
Agora, caberá às investigações apontar responsabilidades.
Porque quando dinheiro público entra na equação, não basta explicar.
É preciso provar.





