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STF IMPEDE VENDA DE IMÓVEIS MILIONÁRIOS LIGADOS A WAGNER
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STF IMPEDE VENDA DE IMÓVEIS MILIONÁRIOS LIGADOS A WAGNER

Terreno em Camaçari seria destinado a grupo ligado à SAF do Bahia, enquanto apartamento de luxo foi negociado com prefeito; ordem do STF travou os registros

O senador Jaques Wagner, um dos principais nomes do PT na Bahia, tentou concluir a transferência de dois imóveis avaliados em um total de R$ 25,8 milhões em meio ao avanço de uma operação da Polícia Federal.

As negociações envolvem um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados em Camaçari, negociado por R$ 15,8 milhões, e um apartamento de luxo localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, vendido por R$ 10 milhões a um prefeito baiano.

As transferências não foram concluídas porque uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a indisponibilidade dos bens do senador.

O que chama atenção é a cronologia dos fatos.

No dia 18 de junho de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Jaques Wagner durante a nona fase da Operação Compliance Zero.

No dia seguinte, representantes do senador deram entrada no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari para efetivar a transferência do terreno milionário.

O procedimento foi interrompido pelo cartório após o recebimento da ordem judicial de bloqueio patrimonial.

TERRENO COMPRADO POR R$ 28 MIL FOI NEGOCIADO POR R$ 15,8 MILHÕES

O terreno em Camaçari teria sido adquirido por Wagner no ano 2000 pelo valor declarado de apenas R$ 28 mil.

Mais de duas décadas depois, o imóvel foi negociado por R$ 15,8 milhões.

Segundo avaliações de corretores citadas na reportagem que revelou o caso, o terreno teria valor de mercado estimado em até R$ 12 milhões, aproximadamente R$ 3,8 milhões abaixo do valor estabelecido na negociação.

A área seria utilizada em um empreendimento imobiliário ligado ao City Football Group, conglomerado internacional que controla a Sociedade Anônima do Futebol do Esporte Clube Bahia.

A negociação teria sido estruturada como uma permuta, na qual Wagner receberia lotes do futuro empreendimento em troca da propriedade.

De acordo com a versão apresentada pelo senador, as tratativas não começaram após a operação policial.

Wagner afirma que as conversas tiveram início em 2024, que o negócio foi formalizado em 2025 e que a escritura pública foi lavrada em maio de 2026.

O senador também declarou ter recebido um pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor que teria sido devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre ganho de capital em junho de 2025.

Ainda assim, permanece sem explicação detalhada a decisão de levar a escritura ao cartório justamente um dia após a Polícia Federal cumprir mandados contra o petista.

APARTAMENTO DE LUXO FOI VENDIDO A PREFEITO POR R$ 10 MILHÕES

O segundo imóvel envolvido no bloqueio é um apartamento de luxo no Corredor da Vitória, uma das regiões mais valorizadas de Salvador.

A propriedade foi negociada por R$ 10 milhões com o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo, do União Brasil.

O registro da transferência foi protocolado cerca de uma semana antes da operação da Polícia Federal, mas também acabou impedido pela decisão do STF.

O prefeito confirmou a compra e afirmou ser um “terceiro de boa-fé”.

Segundo Marcelo Passos, a negociação foi acertada no final de 2025 e o pagamento foi concluído em abril de 2026, antes de a operação policial se tornar pública.

Ele declarou ainda que os valores foram depositados diretamente na conta de Jaques Wagner e que toda a transação ocorreu dentro da legalidade.

O prefeito apresentou pedidos ao STF e aos cartórios para tentar liberar a transferência do imóvel.

WAGNER JÁ TERIA RECEBIDO PELO MENOS R$ 12 MILHÕES

Embora os registros tenham sido interrompidos, Jaques Wagner já teria recebido ao menos R$ 12 milhões relacionados às duas negociações.

Desse total, R$ 10 milhões seriam referentes ao apartamento vendido ao prefeito e R$ 2 milhões corresponderiam ao pagamento antecipado pela negociação do terreno em Camaçari.

As duas operações somam R$ 25,8 milhões:

R$ 15,8 milhões pelo terreno em Camaçari;
R$ 10 milhões pelo apartamento no Corredor da Vitória.

O bloqueio judicial impede, ao menos por enquanto, que as propriedades sejam formalmente transferidas para os compradores.

OPERAÇÃO INVESTIGA SUSPEITAS LIGADAS AO BANCO MASTER

Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de pagamento de propina e movimentações relacionadas ao Banco Master.

A proximidade entre a operação policial e a tentativa de registrar a transferência do terreno levantou questionamentos sobre uma possível movimentação patrimonial em meio ao agravamento da situação jurídica do senador.

Até o momento, entretanto, não há conclusão judicial definitiva de que as negociações tenham sido simuladas ou realizadas com a finalidade de ocultar patrimônio.

A defesa de Wagner nega qualquer irregularidade.

O advogado Pablo Domingues afirmou que não existe nada a esconder, mas não apresentou uma explicação detalhada sobre o motivo de a escritura do terreno ter sido protocolada no cartório no dia seguinte à operação da Polícia Federal.

CRISE ATINGE UM DOS PRINCIPAIS NOMES DO PT BAIANO

O caso produz desgaste político para uma das figuras mais influentes do grupo que governa a Bahia há quase duas décadas.

Jaques Wagner já foi governador do estado por dois mandatos, ministro, presidente nacional do PT e líder do governo Lula no Senado.

Em meio à repercussão da investigação e do bloqueio patrimonial, Wagner deixou a liderança do governo no Senado.

Apesar da crise, o petista mantém sua pré-candidatura à reeleição em 2026.

Agora, o senador terá de explicar não apenas as investigações que chegaram até sua porta, mas também a tentativa de transferir quase R$ 26 milhões em imóveis justamente quando a Polícia Federal apertava o cerco.

As versões foram apresentadas. Os documentos estão nos cartórios. A ordem de bloqueio foi expedida pelo STF.

E a pergunta continua de pé: por que tanta pressa para concluir as transferências em meio a uma operação da Polícia Federal?

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