Prefeito afirma que dívida envolve repasses do Samu e da Casa da Mulher Brasileira
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmou que o Governo da Bahia acumula uma dívida superior a R$ 26 milhões com a capital baiana.
Segundo o gestor, os valores pendentes estão relacionados a serviços essenciais prestados pela prefeitura nas áreas de saúde e de proteção às mulheres vítimas de violência.
A maior parte da dívida, de acordo com Bruno Reis, envolve o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu. O prefeito afirma que o Estado deve mais de R$ 20 milhões em repasses referentes ao funcionamento do serviço.
Salvador, segundo ele, não atende apenas os moradores da capital. A estrutura municipal também presta suporte a municípios da Região Metropolitana, ampliando os custos assumidos pela prefeitura.
Mesmo com o serviço funcionando e atendendo diariamente a população, o dinheiro que deveria ser repassado pelo governo estadual não estaria chegando aos cofres municipais.
Casa da Mulher Brasileira também teria repasses atrasados
Bruno Reis também cobrou mais de R$ 6 milhões relacionados à Casa da Mulher Brasileira, equipamento voltado ao acolhimento e à proteção de mulheres vítimas de violência.
A denúncia chama ainda mais atenção porque envolve um serviço que deveria contar com prioridade absoluta do poder público.
Na prática, enquanto o Governo da Bahia divulga discursos sobre políticas de proteção às mulheres, a Prefeitura de Salvador afirma que precisa manter o equipamento sem receber os valores que teriam sido acordados.
Prefeitura estaria há 14 anos sem receber recursos do Estado
Durante sua fala, Bruno Reis afirmou que a prefeitura não recebe recursos do Governo da Bahia há 14 anos.
Segundo o prefeito, durante todo esse período, Salvador não teria recebido “um real” de apoio estadual para realizar investimentos na cidade.
A declaração escancara a relação política entre o governo estadual e a administração da capital. De um lado, o Estado fala em diálogo e parceria. Do outro, o prefeito da maior cidade da Bahia denuncia falta de repasses até mesmo em programas que já estão em funcionamento.
Bruno Reis também afirmou que a gestão municipal precisou avançar sem qualquer apoio financeiro do Estado.
Prefeito destaca gestão de ACM Neto
Ao defender o trabalho realizado em Salvador, Bruno Reis citou a gestão do ex-prefeito ACM Neto.
Segundo ele, antes da chegada do grupo político ao comando da cidade, Salvador sofria com dificuldades até mesmo em serviços básicos, como coleta de lixo, iluminação pública e manutenção das vias.
Bruno afirmou que ACM Neto conseguiu transformar a capital sem recursos do Governo da Bahia e que sua gestão vem dando continuidade ao trabalho nas mesmas condições.
O prefeito também declarou que 86% dos recursos municipais foram investidos nas áreas mais carentes de Salvador.
O argumento utilizado por Bruno Reis é direto: mesmo sem o apoio do Estado, a prefeitura teria conseguido ampliar serviços, realizar obras e promover melhorias nos bairros mais pobres.
Estado cobra, mas não paga?
A cobrança feita pelo prefeito coloca o Governo da Bahia diante de uma contradição difícil de explicar.
Enquanto o Estado exige cooperação dos municípios, Salvador afirma que permanece há anos sem receber apoio financeiro e ainda precisa cobrar dívidas relacionadas a serviços essenciais.
Não se trata de disputa política quando o assunto envolve ambulâncias, atendimento de urgência e proteção a mulheres vítimas de violência.
O dinheiro público precisa chegar aonde foi prometido.
Se a dívida existe, o Governo da Bahia deve explicar por que os pagamentos não foram realizados e apresentar um prazo para regularizar os repasses.
A população não pode continuar pagando a conta da falta de diálogo, da omissão administrativa e das disputas entre governos.

