Um novo capítulo da crise envolvendo o Banco Master chegou ao Senado. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar possíveis relações entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banco.
O requerimento foi apresentado com 35 assinaturas de senadores, número superior ao mínimo de 27 exigido para a criação de uma CPI. Entre os parlamentares que apoiaram o pedido estão nomes da oposição e do campo conservador, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sergio Moro (União-PR) e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado.
Segundo Alessandro Vieira, a investigação seria necessária para esclarecer as suspeitas que surgiram após a divulgação de documentos obtidos pela Polícia Federal. O material foi encontrado no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após quebra de sigilo autorizada no âmbito das investigações.
De acordo com informações encaminhadas à CPI do INSS, mensagens armazenadas no aparelho indicariam conversas atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro do ano passado. Moraes nega qualquer irregularidade.
O caso também envolve o ministro Dias Toffoli. O magistrado deixou a relatoria do processo no Supremo após pressões políticas e questionamentos sobre possíveis conexões entre o banco e o resort Tayayá, empreendimento que teve participação de empresa ligada à família do ministro.
A Polícia Federal passou a investigar se houve movimentações financeiras suspeitas envolvendo fundos relacionados ao resort. A apuração busca identificar possíveis irregularidades e eventuais crimes financeiros.
Apesar de o pedido de CPI já ter número suficiente de assinaturas, a instalação da comissão ainda depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos bastidores, parlamentares afirmam que o senador tem evitado avançar com a proposta para não ampliar tensões institucionais em um momento de forte polarização política e com eleições no horizonte.
Além da CPI proposta por Alessandro Vieira, outras iniciativas no Congresso também tentam investigar o caso Master. Entre elas estão uma CPI mista, um grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos e apurações no âmbito da CPI do Crime Organizado, da qual o próprio Vieira é relator.
O episódio adiciona mais um elemento de tensão entre o Legislativo e o Judiciário. Enquanto parte dos parlamentares defende uma investigação aprofundada para esclarecer possíveis vínculos entre magistrados e agentes do sistema financeiro, aliados do governo e setores do Senado demonstram cautela diante do risco de ampliar o conflito institucional.
No centro do debate está uma pergunta que ainda permanece sem resposta: se há indícios suficientes para abrir uma investigação parlamentar, por que a CPI ainda não saiu do papel?





