A tentativa do governo Jerônimo Rodrigues de avançar com mais um pedido de empréstimo na Assembleia Legislativa da Bahia acabou travada nesta terça-feira (5). A bancada de oposição conseguiu impedir a votação da proposta que autoriza uma nova operação de crédito no valor de R$ 5,4 bilhões, desta vez por meio da Embasa.
Na prática, o governo queria aprovar a contratação dos recursos junto à Caixa Econômica Federal para financiar obras ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. O detalhe é que, embora as obras sejam anunciadas dentro da vitrine federal, a conta ficaria sob responsabilidade financeira da Bahia.
E aí mora o ponto central da discussão. Segundo a oposição, este já é o 24º pedido de empréstimo apresentado pelo Governo do Estado. Somados aos anteriores, os valores chegam a R$ 32 bilhões. É dinheiro demais para passar sem debate, sem explicação detalhada e sem cobrança dura sobre onde, como e quando esses recursos serão aplicados.
O projeto já havia recebido urgência na semana passada, o que abriria caminho para uma votação mais rápida. Mas, na hora decisiva, a base governista não conseguiu reunir o quórum necessário. Pelo regimento interno da AL-BA, seriam exigidos ao menos 32 parlamentares presentes para que a matéria pudesse ser apreciada.
A oposição apresentou uma questão de ordem e pediu a conferência do quórum. Após a contagem regimental de 25 minutos, apenas 31 deputados haviam registrado presença. Com isso, a presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), encerrou a sessão.
O episódio expõe um desgaste político relevante para o governo. Mais do que uma disputa numérica no plenário, a derrota mostra que a base governista já não consegue aprovar tudo no automático. Quando falta deputado, sobra constrangimento. E quando o assunto é mais dívida pública, a cobrança tende a crescer.
O governo defende que os recursos serão usados em obras de saneamento e infraestrutura, áreas sensíveis para a população. Mas a oposição mira justamente no tamanho da conta. Afinal, empréstimo não é dinheiro de graça. É compromisso que fica para o Estado, para os próximos governos e, no fim da linha, para o contribuinte baiano.
A votação foi adiada, mas o debate está longe de acabar. O pedido deve voltar à pauta, e a queda de braço entre governo e oposição promete ganhar novos capítulos. De um lado, o Palácio de Ondina tentando justificar mais uma operação bilionária. Do outro, a oposição tentando transformar o tema em vitrine do que chama de descontrole fiscal.
Na Bahia, a pergunta que fica é simples: se o governo já pediu tanto dinheiro emprestado, por que a sensação de melhora ainda não chegou com a mesma velocidade para quem vive a realidade nas ruas?





