A base do governo Jerônimo Rodrigues voltou a tropeçar na própria maioria dentro da Assembleia Legislativa da Bahia. Nesta terça-feira (5), a ausência de deputados governistas impediu o avanço do projeto que autoriza a Embasa a contratar um empréstimo bilionário, estimado em cerca de R$ 5,5 bilhões.
A proposta, enviada pelo Governo do Estado no final de março, prevê que a Embasa capte os recursos junto à Caixa Econômica Federal para financiar obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário em diferentes regiões da Bahia. No discurso, o projeto aparece embalado como investimento em infraestrutura e saneamento. Na prática, entra na longa lista de operações de crédito que aumentam o endividamento do Estado.
A sessão tinha expectativa de votação da urgência da matéria, o que permitiria acelerar sua tramitação. Mas a oposição percebeu a fragilidade no plenário e acionou o regimento. Foram feitos pedidos de verificação de quórum, justamente para confirmar se a base governista tinha número suficiente para tocar a votação.
Não tinha.
Pelo regimento da AL-BA, eram necessários pelo menos 32 deputados presentes para que o projeto pudesse ser apreciado. Após a contagem, apenas 31 parlamentares registraram presença. Com isso, a votação foi travada e o governo ficou sem conseguir avançar com a proposta.
O episódio é politicamente simbólico. O governo tem maioria na Assembleia, mas não conseguiu organizar sua própria tropa para votar uma pauta considerada estratégica. Quando o Palácio de Ondina depende de presença mínima e nem isso consegue garantir, o recado é claro: a articulação falhou.
A oposição, por sua vez, aproveitou a brecha. Ao pedir a verificação de quórum, conseguiu impedir que mais um empréstimo bilionário avançasse sem o debate necessário. O projeto envolve cifras altas, impacto direto nas contas públicas e compromissos que não desaparecem depois do discurso oficial. Empréstimo pode até financiar obra, mas também vira dívida. E dívida, cedo ou tarde, chega para alguém pagar.
A frustração atingiu até nomes do comando da Casa e da liderança governista. A presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), e o líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), viram a sessão emperrar por uma ausência que, para a base, poderia ter sido evitada.
Mais do que uma derrota pontual, a trava na votação expõe um desgaste crescente. O governo tenta vender o empréstimo como solução para ampliar saneamento e abastecimento, áreas importantes para a população. Mas a oposição mira na quantidade de operações de crédito já acumuladas pela gestão estadual e cobra mais transparência sobre o destino dos recursos.
No fim, a votação não aconteceu. Mas o desgaste aconteceu. E ficou registrado no plenário: quando o governo precisa aprovar mais bilhões em dívida, nem sempre sua maioria aparece para sustentar a conta.





