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Lula elogia PT na Bahia, fala em democracia, desenvolvimento… e esquece de citar o caso Master
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Lula elogia PT na Bahia, fala em democracia, desenvolvimento… e esquece de citar o caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu entrar de vez no tabuleiro eleitoral da Bahia. Em entrevista ao Bahia Notícias, o petista afirmou que o estado será decisivo nas eleições de 2026 e fez uma defesa aberta dos governos do PT, elogiando Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues.

Só teve um detalhe curioso: Lula falou de tudo. Falou de democracia, progresso, indústria, tecnologia, desemprego, renda e comparação de projetos. Mas, quando o assunto poderia encostar no caso Master envolvendo Jaques Wagner, o silêncio foi absoluto.

Um silêncio daqueles bem calculados.

Na entrevista, Lula afirmou que a Bahia terá papel importante para ajudar o Brasil a seguir no “caminho do progresso” e evitar o retorno de “forças autoritárias”. O presidente também defendeu a continuidade do projeto petista no estado, dizendo que os baianos contam, há vários mandatos, com governadores que executam “verdadeiros projetos de desenvolvimento”.

Segundo Lula, esse trabalho começou com Jaques Wagner, passou por Rui Costa e agora está nas mãos de Jerônimo Rodrigues.

O elogio a Wagner chama atenção justamente pelo momento político. O senador petista é citado no caso envolvendo o Banco Master, episódio que tem gerado desgaste no cenário nacional e, principalmente, dentro do campo político baiano. Ainda assim, Lula preferiu passar longe do tema.

E passou longe com elegância presidencial: fingindo que não viu.

Para sustentar a defesa dos governos do PT na Bahia, Lula citou dados do IBGE. Segundo ele, a taxa de desemprego no estado caiu cinco pontos percentuais entre 2022 e 2025, chegando a 8,7%, o menor índice desde 2012. O presidente também destacou que a renda domiciliar per capita chegou a R$ 1.465, o que seria um recorde na série histórica.

Lula afirmou ainda que os investimentos estão voltando com força para a Bahia, tanto por meio de recursos estaduais e federais quanto pelo capital privado. Na avaliação do presidente, esse movimento permitiria ao estado retomar sua vocação para a indústria e para a tecnologia.

No campo eleitoral, Lula deixou claro que a Bahia será peça-chave em 2026. Para ele, a população poderá comparar os projetos políticos em disputa e avaliar quem fez mais pelo estado e por sua economia.

A fala reforça a estratégia do PT de nacionalizar a eleição baiana e apresentar a permanência do grupo no poder como sinônimo de continuidade, desenvolvimento e proteção contra retrocessos.

Mas a pergunta que fica é inevitável: se o legado é tão forte, por que evitar qualquer comentário sobre o escândalo que envolve justamente um dos principais nomes desse legado?

Na Bahia, o PT governa há quase duas décadas. E agora tenta vender a ideia de que tudo é resultado de um projeto bem-sucedido. O problema é que, junto com os discursos de progresso, também aparecem cobranças, obras travadas, promessas não cumpridas e episódios constrangedores que o partido prefere tratar no modo avião.

Lula sabe o peso que a Bahia tem nas urnas. Também sabe o peso que Wagner tem na história do PT baiano. Por isso, o silêncio sobre o caso Master não parece esquecimento. Parece estratégia.

Afinal, em ano eleitoral, elogiar aliado é fácil.

Difícil é explicar o que incomoda.

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