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Caso Master explode na Bahia e muda o jogo da eleição de 2026
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Caso Master explode na Bahia e muda o jogo da eleição de 2026

O escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas um caso policial para ganhar peso no principal campo de batalha da política baiana. As investigações da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT), suspeito de receber vantagens ligadas ao banqueiro Augusto Lima, alteraram o ambiente político no estado e passaram a influenciar diretamente a corrida pelo Governo da Bahia em 2026.

Até poucas semanas atrás, o Palácio de Ondina comemorava um momento favorável. O governador Jerônimo Rodrigues surfava na entrega de obras, enquanto a recuperação da popularidade do presidente Lula fortalecia o discurso governista. Mas a operação da PF mudou completamente o cenário.

A partir das investigações, a base petista entrou em modo de contenção de danos. O caso ganhou repercussão nacional, expôs um dos principais líderes do partido na Bahia e obrigou o grupo a reorganizar rapidamente sua estratégia política.

PT fecha fileiras para proteger Wagner

Após um período inicial de silêncio e desorganização, o PT decidiu reagir.

A orientação passou a ser clara: demonstrar unidade, defender publicamente Jaques Wagner e impedir que o Caso Master monopolize o debate eleitoral antes do avanço das investigações.

Como parte dessa estratégia, o partido antecipou a divulgação da campanha “Três Irmãos”, reunindo Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner em peças publicitárias que exaltam amizade, lealdade e união. Embora a campanha já estivesse prevista, sua divulgação foi acelerada justamente após a operação da Polícia Federal.

Nos bastidores, lideranças petistas reconhecem que o impacto político dependerá do desdobramento das investigações, mas defendem que o grupo não pode assumir uma postura excessivamente defensiva.

Jerônimo mantém confiança em Wagner

Mesmo diante da pressão, Jerônimo Rodrigues reafirmou publicamente sua confiança em Jaques Wagner.

O governador afirmou que o senador teve oportunidade de apresentar sua versão dos fatos diretamente ao presidente Lula e garantiu que o grupo permanece unido.

Jerônimo também decidiu manter no cargo o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré — enteado de Wagner e também citado nas investigações — afirmando que só reconsideraria a decisão diante de uma eventual condenação.

A postura contrasta com a decisão do presidente Lula, que retirou Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, numa movimentação interpretada por analistas como uma tentativa de reduzir o desgaste político em Brasília.

2 de Julho virou palco da disputa

O tradicional desfile da Independência da Bahia também refletiu o novo clima político.

Durante o cortejo, apoiadores da oposição espalharam cartazes chamando o senador de “Jaques do Master”, enquanto paredões de som tocaram jingles com críticas ao governador Jerônimo Rodrigues.

Militantes petistas responderam com vaias direcionadas a ACM Neto, transformando uma das datas mais simbólicas da Bahia em palco da pré-campanha eleitoral.

Oposição muda a estratégia

Apesar do desgaste enfrentado pelo PT, a oposição evita transformar o Caso Master no centro do discurso público.

A orientação é concentrar os ataques na gestão estadual, especialmente em temas como segurança pública, infraestrutura, economia e desgaste administrativo após quase duas décadas de governos petistas.

O prefeito Bruno Reis resumiu essa estratégia ao afirmar que eventuais irregularidades devem ser apuradas pela Justiça e que quem tiver cometido ilícitos deverá responder pelos seus atos.

Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o Caso Master pode contribuir para enfraquecer a imagem do grupo governista durante a campanha.

Rui Costa tenta devolver o desgaste

Quem assumiu a linha de frente dos ataques foi o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Durante o 2 de Julho, Rui voltou a mencionar a relação de ACM Neto com o Banco Master e citou contratos firmados por uma empresa de consultoria ligada ao ex-prefeito de Salvador.

Segundo relatórios do Coaf citados pela reportagem, uma empresa de ACM Neto recebeu cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag.

ACM Neto afirma que os pagamentos decorreram de serviços de consultoria regularmente prestados, que todos os contratos são legais e que os valores foram devidamente declarados.

Ao comentar o tema, Rui também fez referência à participação da esposa de ACM Neto como sócia da empresa de consultoria.

A declaração provocou reação imediata da oposição.

João Roma classificou a fala como uma agressão gratuita à família de ACM Neto.

“Panelinha” versus “Três Irmãos”

A disputa também ganhou novos slogans.

Enquanto o PT aposta na imagem dos “Três Irmãos” para transmitir união entre Jerônimo, Rui e Wagner, a oposição passou a chamar o grupo de “panelinha”, afirmando que as mesmas lideranças comandam a Bahia há quase vinte anos.

ACM Neto sustenta que o estado precisa de renovação política e de novas lideranças para enfrentar problemas históricos.

Já o PT rebate dizendo que houve renovação interna ao longo dos últimos governos e que o projeto político é coletivo, não dependente de um único nome.

Bahia volta ao centro da disputa nacional

Além da importância estadual, a eleição baiana tem enorme peso para o projeto nacional do presidente Lula.

Em 2022, a Bahia garantiu ao petista uma vantagem próxima de 4 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro, tornando-se um dos principais pilares eleitorais do PT no país.

Por isso, qualquer desgaste envolvendo suas principais lideranças é tratado como prioridade tanto pelo governo quanto pela oposição.

Opinião Soberana

O Caso Master deixou claro que a eleição de 2026 já começou.

O PT tenta blindar Jaques Wagner antes que as investigações avancem. A oposição, por sua vez, prefere manter o foco na avaliação do governo Jerônimo enquanto observa os desdobramentos da Polícia Federal.

No fim das contas, a estratégia dos dois lados é semelhante: controlar danos e impedir que o adversário transforme o Caso Master no principal tema da campanha.

Mas uma coisa já mudou.

Depois do Master, a disputa pelo Governo da Bahia deixou de ser apenas uma comparação entre gestões. Agora, também será travada no terreno da credibilidade política.

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