A tentativa de evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse associado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) em meio às investigações envolvendo o Banco Master não prosperou. Segundo informações publicadas pela coluna de Lauro Jardim e repercutidas pelo Política Livre, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, orientou Lula a manter distância do senador baiano para reduzir o desgaste político provocado pelo caso.
A avaliação era de que a repercussão das investigações da Polícia Federal poderia contaminar a imagem do presidente caso a aproximação com Wagner fosse mantida em um momento de forte pressão política.
A orientação chama atenção justamente por partir de Sidônio Palmeira, um dos principais estrategistas de comunicação do governo federal e um velho conhecido da política baiana. Antes de assumir a Secom, Sidônio comandou campanhas vitoriosas de Jaques Wagner e também do ex-governador Rui Costa, construindo uma longa relação com o grupo petista da Bahia.
Mesmo assim, a estratégia não foi adiante.
Poucos dias depois, durante agenda oficial na Bahia, Lula fez exatamente o movimento contrário ao que teria sido recomendado. Em público, dividiu o palco com Jaques Wagner, fez um desagravo ao senador e reforçou a parceria política construída ao longo das últimas décadas.
Na ocasião, o presidente classificou Wagner como um “companheiro de longa data” e chegou a compará-lo a um irmão, em um gesto interpretado como demonstração explícita de confiança e respaldo político, apesar das investigações em curso.
Segundo a publicação, integrantes do próprio PT próximos a Wagner afirmaram que Sidônio “quebrou a cara” ao tentar promover o afastamento entre os dois, já que Lula optou por prestigiar o senador diante de toda a repercussão nacional.
O episódio ocorre enquanto Jaques Wagner segue citado nas investigações relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal apura suposta atuação do senador em favor do banqueiro Daniel Vorcaro na Bahia. O caso ainda está em fase de investigação, sem conclusão judicial.
Opinião Soberana
Na política, gestos costumam falar mais alto do que discursos. Se existiu uma estratégia para preservar a imagem do presidente mantendo distância do principal nome do PT baiano, ela durou pouco. No primeiro grande evento público, Lula deixou claro qual lado escolheu.
A tentativa de blindagem virou apenas um detalhe diante de um abraço que, politicamente, valeu muito mais do que qualquer orientação de bastidor.





