A Câmara Municipal de Salvador deve entrar definitivamente no clima eleitoral. Dos 43 vereadores da capital baiana, 14 já estão colocados na disputa por vagas de deputado estadual ou federal nas eleições de 2026.
Na prática, quase um terço dos integrantes do Legislativo municipal pretende usar a visibilidade, a estrutura política e o mandato conquistado em Salvador como ponto de partida para alcançar cargos mais altos.
O grupo está dividido igualmente: sete vereadores devem concorrer a vagas na Assembleia Legislativa da Bahia e outros sete tentarão chegar à Câmara dos Deputados.
Sete vereadores querem chegar à Alba
Na disputa por uma cadeira de deputado estadual estão David Rios, do MDB; Sílvio Humberto, do PSB; Anderson Ninho, Cezar Leite, Paulo Magalhães Júnior, Felipe Santana e George Gordinho da Favela.
Entre os postulantes, o União Brasil concentra três nomes: Anderson Ninho, Paulo Magalhães Júnior e George Gordinho da Favela. Cezar Leite deve representar o PL, enquanto Felipe Santana disputará pelo PSD.
Outros sete miram Brasília
Na corrida por uma vaga de deputado federal aparecem Duda Sanches, Eliete Paraguassu, Hamilton Assis, Kel Torres, Sandro Filho, Débora Santana e Maurício Trindade.
O PSDB reúne três candidatos do atual Legislativo municipal: Duda Sanches, Débora Santana e Maurício Trindade. Já o PSOL terá Eliete Paraguassu e Hamilton Assis. Kel Torres concorrerá pelo Republicanos, enquanto Sandro Filho estará na disputa pelo PP.
Número poderia chegar a 15
A quantidade de candidatos poderia ser ainda maior. O vereador André Fraga, do PV, também pretendia concorrer, mas teve a candidatura barrada nacionalmente pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
O veto estaria relacionado ao apoio do parlamentar à gestão do prefeito Bruno Reis, do União Brasil, adversário político do grupo que controla a federação.
O episódio revela que, antes mesmo do início oficial da campanha, as disputas internas e os acordos partidários já começaram a definir quem terá ou não espaço nas urnas.
Jorge Araújo fica fora da conta
O levantamento não incluiu o vereador afastado Jorge Araújo, do PP. Ele assumiu temporariamente uma cadeira na Câmara dos Deputados após João Leão deixar o cargo para comandar a Secretaria de Governo da Prefeitura de Salvador.
Jorge Araújo também disputará uma vaga de deputado federal. Caso fosse incluído entre os integrantes eleitos para a Câmara de Salvador, o número de vereadores envolvidos na corrida por outros cargos seria ainda maior.
Aladilce será suplente de Wagner
A vereadora Aladilce Souza, do PCdoB, não disputará diretamente uma vaga de deputada. Ela foi escolhida para ocupar a segunda suplência do senador Jaques Wagner, do PT, que buscará a reeleição.
A participação amplia ainda mais o envolvimento dos integrantes da Câmara de Salvador na montagem das chapas majoritárias e proporcionais para 2026.
Vereadores podem continuar nos cargos
Diferentemente de ocupantes de funções no Poder Executivo, os vereadores não precisam renunciar nem se afastar dos mandatos para disputar vagas de deputado estadual ou federal.
Isso significa que os parlamentares poderão continuar recebendo salários e exercendo seus mandatos enquanto percorrem Salvador e o interior da Bahia em busca de votos.
A regra é legal, mas levanta uma questão inevitável: com tantos vereadores concentrados em projetos eleitorais pessoais, quem ficará dedicado integralmente aos problemas da capital?
Câmara ou comitê eleitoral?
A movimentação mostra que a Câmara de Salvador deverá funcionar, nos próximos meses, sob forte influência das eleições.
Sessões, discursos, projetos, visitas a bairros e embates políticos tendem a ser usados também como instrumentos de campanha. O risco é que as demandas dos moradores sejam colocadas em segundo plano enquanto os vereadores trabalham para ampliar suas bases eleitorais e garantir uma promoção política.





