Ex-secretário da Serin deixa o governo para comandar tentativa de reeleição do petista; escolha expõe diferenças dentro da base aliada e reacende disputa de influência entre Rui Costa e Jaques Wagner
A campanha pela reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ganhou um novo comandante em meio a divergências internas no grupo governista. O agora ex-secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, deixou o cargo para assumir a coordenação geral da campanha do petista.
A exoneração de Loyola foi publicada no Diário Oficial do Estado. Com a mudança, a Secretaria de Relações Institucionais, a Serin, passa a ser comandada por Jonival Lucas, que ocupava a chefia de gabinete da pasta.
A escolha de Loyola, no entanto, não aconteceu sem resistência dentro do próprio grupo político de Jerônimo.
Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, havia uma espécie de consenso entre as principais lideranças governistas em torno do nome de Loyola para comandar a campanha. A exceção teria sido Rui Costa, ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil.
Fontes que acompanharam as discussões apontaram que Rui teria sido o único entre os integrantes com poder de decisão a não apoiar diretamente a escolha de Loyola. Mesmo sem força suficiente para impedir a indicação, ele teria feito questão de registrar que seu “voto” não seria no ex-secretário.
A posição de Rui teria chamado atenção entre integrantes da base governista e provocado diferentes interpretações sobre o movimento.
Rui teria defendido Ronaldo Carletto
De acordo com a publicação, Rui Costa teria demonstrado preferência pelo nome de Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante e seu primeiro suplente, para assumir a coordenação da campanha de Jerônimo.
Carletto também teria participado das conversas sobre a definição do comando eleitoral.
A resistência de Rui ao nome de Loyola passou a ser interpretada nos bastidores como mais um episódio da disputa de espaço e influência existente entre os grupos ligados ao ex-governador e ao senador Jaques Wagner.
Loyola é visto politicamente como um nome mais próximo do campo de Wagner, o que aumentou as especulações sobre o significado da escolha.
Responsabilidade pela campanha entra no jogo político
Entre aliados, uma das leituras é de que, ao não apoiar Loyola, Rui Costa teria transferido politicamente para o grupo ligado a Jaques Wagner parte da responsabilidade pelo desempenho da campanha de Jerônimo.
Na prática, caso a estratégia funcione e Jerônimo consiga se reeleger, Wagner e seu grupo político podem sair fortalecidos da disputa interna. Por outro lado, um desempenho abaixo do esperado também poderia gerar cobranças sobre quem assumiu o comando da operação eleitoral.
Apesar das interpretações, o grupo de Wagner não teria respondido diretamente ao posicionamento de Rui.
A sinalização nos bastidores, porém, seria de que uma eventual segunda gestão de Jerônimo Rodrigues poderá apresentar mudanças na composição e na distribuição de forças dentro do governo.
Loyola já participou da reação de Jerônimo em 2022
Adolpho Loyola não é um nome novo na estratégia eleitoral do governador.
Na campanha de 2022, sua entrada na coordenação foi considerada um dos momentos importantes da reação eleitoral de Jerônimo Rodrigues, especialmente nos dois últimos meses antes da votação.
Naquele período, Jerônimo conseguiu crescer nas pesquisas e ampliar sua competitividade até chegar à vitória nas urnas.
Além de Loyola, nomes como Diogo Medrado e Éden Valadares, que à época presidia o PT da Bahia, também são citados como peças importantes na reorganização da campanha daquele ano.
Agora, quatro anos depois, Loyola volta ao centro da estratégia eleitoral petista, desta vez assumindo oficialmente o comando da campanha pela reeleição.
Mudança ocorre em momento decisivo
A escolha do novo coordenador acontece justamente no início oficial da campanha eleitoral e coloca Loyola como responsável por organizar a estratégia política de Jerônimo para tentar permanecer no Palácio de Ondina.
Mas, antes mesmo do avanço da campanha, a definição já expôs divergências entre algumas das principais lideranças do grupo governista.
A resistência de Rui Costa, a preferência por Ronaldo Carletto e a escolha de um nome associado ao campo de Jaques Wagner colocam novamente em evidência uma disputa de influência que acompanha há algum tempo os bastidores do PT e de seus aliados na Bahia.
Com Loyola no comando, a campanha de Jerônimo inicia uma nova fase, enquanto as movimentações internas da base governista passam a ser acompanhadas tão de perto quanto a própria disputa eleitoral.





