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714 cidades mudaram de lado e expõem avanço da direita sobre o eleitor médio
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

714 cidades mudaram de lado e expõem avanço da direita sobre o eleitor médio

Levantamento apresentado após o primeiro turno aponta crescimento de Flávio Bolsonaro em cidades pequenas, periferias, entre eleitores das classes C e D e também no segmento católico

O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 deixou uma mudança importante no mapa eleitoral brasileiro. Mais do que uma alteração pontual em determinadas regiões, os dados apresentados na análise indicam uma movimentação espalhada pelo país e com um perfil bastante específico: cidades menores, periferias, eleitores de renda média e parte do eleitorado católico.

Um dos números que mais chama atenção é o de 714 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 e que, em 2026, passaram para Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento citado, nenhum município teria feito o movimento contrário. A análise também afirma que Flávio teve desempenho superior ao de Jair Bolsonaro em nove de cada dez locais de votação avaliados, dentro de um universo de aproximadamente 86 mil locais, correspondentes a cerca de 96% dos votos do país.

A leitura desses dados aponta para uma mudança que não teria ocorrido apenas nas grandes capitais. Pelo contrário.

Virada mais forte nas cidades pequenas

Nas cidades com mais de 1 milhão de eleitores, a diferença entre os principais candidatos teria sofrido pouca alteração em relação a 2022.

Já nos municípios com menos de 10 mil eleitores, a movimentação teria chegado a cerca de 12 pontos. Segundo a análise, mais da metade do avanço obtido por Flávio Bolsonaro em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro ocorreu em cidades com menos de 50 mil eleitores.
No Nordeste, o comportamento também teria seguido essa lógica: as capitais permaneceram mais estáveis, enquanto o interior registrou maior deslocamento em direção à direita.

O dado muda também uma percepção comum de que a transformação eleitoral teria ocorrido principalmente nos grandes centros urbanos.

A tese apresentada é justamente a inversa: quem mais se movimentou foi o Brasil das cidades pequenas e médias.

Não foi a elite que mais mudou

Outro recorte considerado relevante é o de renda.
A análise separou seções eleitorais conforme o perfil socioeconômico. Nas áreas classificadas como A e B, Lula teria crescido entre aproximadamente 1 e 2,5 pontos.

Nas seções de perfil D e E, Flávio Bolsonaro teria avançado cerca de 4,5 pontos.
Já entre os eleitores de classe C, o placar citado foi de 53% para Flávio Bolsonaro e 37% para Lula.

A interpretação é de que a mudança não veio prioritariamente dos mais ricos.
Enquanto bairros de renda mais elevada teriam registrado crescimento de Lula, parte das periferias e das faixas de renda média e baixa teria caminhado na direção oposta.

Católicos aparecem como parte importante da mudança

O levantamento também questiona outra explicação recorrente: a de que o crescimento da direita teria vindo principalmente do eleitor evangélico.

Segundo a análise, esse segmento já havia votado em Jair Bolsonaro em níveis elevados em 2022 e apresentou pouca mudança agora.

A maior movimentação teria ocorrido entre católicos.

Dos quase 5 milhões de votos adicionais obtidos por Flávio Bolsonaro em relação ao desempenho do pai em 2022, mais de 4 milhões teriam vindo de eleitores católicos, numa estimativa construída com base em dados da PNAD Contínua.

Entre os católicos, Lula teria caído de 54% para 49%. Ele ainda permaneceria à frente nesse grupo, mas com uma vantagem menor.

Abstenção não explicaria a mudança

Outro ponto levantado é a participação eleitoral.
A abstenção teria ficado em aproximadamente 20,8%, índice semelhante ao registrado em 2022.

Por isso, a análise rejeita a tese de que a mudança teria ocorrido apenas porque determinado eleitorado deixou de comparecer às urnas.

A conclusão é mais direta: parte do eleitorado teria efetivamente mudado de voto. Texto colado

Quem é o eleitor que mudou?

Quando os diferentes recortes são reunidos, aparece um perfil considerado central para compreender a disputa.

É um eleitor de classe C ou D, morador de cidade pequena, do interior ou das periferias das grandes cidades, frequentemente católico, trabalhador e, muitas vezes, pequeno empreendedor ou alguém que deseja empreender.

É o chamado “brasileiro médio” descrito na análise.

Esse eleitor não seria necessariamente o mais pobre, nem o mais rico.
Ele se encontra em uma faixa intermediária da sociedade, busca melhorar de vida e demonstra preocupação tanto com serviços públicos quanto com oportunidades econômicas.

A análise associa esse comportamento a uma percepção de distanciamento entre parte da esquerda e as aspirações desse público.

Entre os temas citados estão a taxação de compras internacionais de baixo valor, o debate sobre bets, propostas de regulamentação do trabalho por aplicativos e críticas dirigidas ao chamado “CEO de MEI”.

Nesse ponto, é importante separar os dados da interpretação política: esses fatores aparecem como explicações defendidas na análise para tentar compreender o deslocamento eleitoral.

“Meu partido é o da fila que anda”

Uma frase utilizada para sintetizar o comportamento desse eleitor resume boa parte da tese:
“Meu partido é o da fila que anda.”

A expressão aparece associada a um eleitor que quer serviços públicos funcionando, mas também condições melhores para crescer economicamente.

Entre as prioridades citadas estão:
posto de saúde funcionando, escola funcionando, juros menores, crédito e menos obstáculos para trabalhar ou tocar um pequeno negócio.

É um eleitor que não se define apenas por programas sociais ou por identidade ideológica.
A leitura apresentada é de que ele quer resultado concreto.

A matemática do segundo turno

Depois de identificar onde a mudança aconteceu, a análise avança sobre o segundo turno.
Os números citados apontam Flávio Bolsonaro com aproximadamente 56 milhões de votos e Lula com 53,7 milhões, uma diferença próxima de 2,3 milhões de votos.

Além disso, cerca de 9 milhões de votos ficaram distribuídos entre outros candidatos. Texto colado

Daí surge uma síntese política importante:
Flávio precisa somar. Lula precisa voltar.

Flávio Bolsonaro teria como caminho natural buscar eleitores que já votaram em candidatos mais próximos da direita no primeiro turno.

Lula, por outro lado, precisaria recuperar parte das pessoas que votaram nele em 2022 e que agora migraram.

Lula teria perdido cerca de 3,5 milhões de antigos eleitores

Segundo os números apresentados, Lula teria preservado cerca de 93% dos votos de quem já havia escolhido seu nome em 2022.

Os outros 7%, aproximadamente 3,5 milhões de eleitores, teriam saído desse grupo e migrado majoritariamente para Flávio Bolsonaro.

Essa movimentação tem peso dobrado em uma disputa direta.

Quando um eleitor deixa de votar em Flávio para votar em Lula, um voto sai de um lado e entra no outro.

Por isso, a análise sustenta que a recuperação de aproximadamente um em cada três desses eleitores já seria suficiente para reduzir drasticamente a diferença entre os dois.

Onde estão esses votos?

A análise identifica alguns dos locais onde Lula teria perdido espaço:
Osasco, Cotia, Betim, interior de Minas Gerais, interior do Rio Grande do Sul e cidades pequenas do Nordeste, entre outras regiões.

O perfil volta a se repetir: eleitor de classe C ou D, católico, morador do interior ou da periferia. Texto colado

É justamente nesse público que a disputa do segundo turno pode se concentrar.
Uma eleição pelo brasileiro médio

Os dados apresentados desenham um cenário em que a disputa de 2026 vai além da divisão tradicional entre esquerda e direita.

O eleitor que ganhou peso nesta eleição é aquele que trabalha, deseja crescer, cobra serviços públicos eficientes e não quer ser tratado apenas como beneficiário de políticas sociais.
Também não se trata de abandonar pautas sociais.

A questão central é compreender que parte desse público exige mobilidade econômica, crédito, oportunidade e menos burocracia, ao mesmo tempo em que espera saúde, educação e serviços públicos funcionando.

No primeiro turno, esse eleitor mostrou que está disposto a mudar de lado.
Agora, no segundo turno, quem conseguir compreender melhor esse Brasil pode encontrar os votos necessários para vencer a eleição.

Fonte: Canal Meio – Ponto de partida

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