Apreensão do passaporte do senador provoca desconforto nos bastidores do governo. Aliados do presidente temem que uma eventual prisão fortaleça denúncias de perseguição política e aumente a tensão no país.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não provocou reações apenas entre integrantes da oposição. A medida também gerou irritação nos bastidores do próprio governo Lula.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27) pela Folhapress, reproduzidas pelo Política Livre, interlocutores do presidente avaliam que a atuação de Moraes, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, elevou desnecessariamente a tensão política.
A preocupação teria chegado ao próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25).
Decisão pode fortalecer discurso de perseguição política
O principal receio entre integrantes do governo é que as medidas contra Flávio Bolsonaro acabem produzindo um efeito político contrário ao esperado.
A apreensão do passaporte, seguida das informações sobre a saída do senador do Brasil, pode ampliar o discurso de perseguição política defendido por integrantes da família Bolsonaro e seus aliados.
Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos, já utiliza esse argumento em suas manifestações sobre a situação política brasileira.
O desconforto relatado entre governistas chama atenção porque surge justamente no momento em que Lula tenta reorganizar sua base política para iniciar o quarto mandato presidencial.
Possibilidade de prisão aumenta preocupação
Outro ponto que preocupa interlocutores do Planalto é a possibilidade de Alexandre de Moraes determinar a prisão de Flávio Bolsonaro.
A expectativa mencionada na reportagem está relacionada ao descumprimento da ordem judicial para entrega do passaporte à Polícia Federal.
Até o momento descrito pela publicação, entretanto, uma eventual prisão era tratada como possibilidade, e não como decisão já tomada.
Nos bastidores do governo, a avaliação é que uma medida dessa natureza poderia ampliar a mobilização de apoiadores do senador e provocar novos episódios de tensão política.
O temor é que o desgaste ultrapasse o campo jurídico e comprometa a governabilidade do presidente reeleito.
Lula enfrenta um problema que não estava nos planos
A situação coloca o governo diante de um cenário delicado.
De um lado, Lula busca iniciar o novo mandato com estabilidade institucional e capacidade de negociação com o Congresso Nacional.
Do outro, decisões judiciais envolvendo seu principal adversário eleitoral podem manter a polarização no centro do debate público.
A questão ganha ainda mais relevância diante da votação expressiva recebida por Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Mesmo derrotado, o senador representa uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, que continuará tendo peso nas disputas políticas dos próximos anos.
O risco de transformar uma derrota eleitoral em nova crise
O episódio também abre espaço para uma discussão sobre os limites e as consequências políticas das decisões judiciais envolvendo lideranças da oposição.
Embora o cumprimento de determinações judiciais seja obrigatório, medidas restritivas precisam estar fundamentadas nos requisitos legais e podem ser submetidas ao controle das instâncias competentes.
O fato de integrantes do próprio governo demonstrarem preocupação com os efeitos políticos da decisão revela a dimensão do problema.
Lula venceu a eleição, mas ainda terá de lidar com um país profundamente dividido.
E, pelo que indicam os relatos dos bastidores, nem mesmo seus aliados estão convencidos de que o endurecimento das medidas contra Flávio Bolsonaro contribuirá para reduzir essa divisão.
Fonte: Política Livre/Folhapress
Crédito da foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo.





