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Após Bolsa despencar e dólar disparar, governo Lula admite que ajuste fiscal não é prioridade
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Após Bolsa despencar e dólar disparar, governo Lula admite que ajuste fiscal não é prioridade

Declaração do ministro José Guimarães amplia incertezas sobre a condução da economia após a reeleição. Governo concentra esforços em propostas políticas enquanto investidores aguardam sinais de controle das contas públicas.

A reação negativa do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda repercute em Brasília. Entretanto, mesmo diante da turbulência registrada na segunda-feira (26), o governo sinaliza que um pacote de ajuste fiscal não está entre suas prioridades imediatas.

A informação foi confirmada nesta terça-feira (27) pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), após uma reunião com a bancada petista na Câmara dos Deputados.

Segundo o ministro, o assunto não está sendo discutido pelo governo neste momento.

A declaração ocorre menos de 24 horas depois de uma das sessões mais turbulentas do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos.
Bolsa caiu 13,88% após reeleição de Lula
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa registrou queda de 13,88%, encerrando a sessão aos 176.608 pontos.

O resultado representou a maior desvalorização diária do índice desde março de 2020.

A intensidade das perdas levou a B3 a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de oscilações extremas.

O dólar também apresentou forte valorização, registrando sua maior alta diária desde 1999, conforme os dados apresentados na reportagem.

O movimento refletiu uma reavaliação das expectativas dos investidores sobre os rumos da política econômica brasileira após a continuidade de Lula na Presidência.
Governo apresenta outras prioridades
Apesar da pressão por medidas capazes de transmitir maior previsibilidade fiscal, José Guimarães afirmou que o governo está concentrado em três propostas legislativas.

São elas a PEC da Segurança Pública, a medida provisória relacionada ao fim das apostas esportivas e a PEC que trata da tarifa zero no transporte público.

O objetivo, segundo o ministro, é avançar nessas matérias até 20 de dezembro.

Questionado sobre propostas de ajuste fiscal defendidas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, Guimarães reiterou que o tema não havia sido discutido nem pela bancada petista nem pelo governo.

A declaração evidencia diferenças de ênfase entre a articulação política e a equipe econômica.
Fazenda tenta transmitir confiança
Enquanto Guimarães descarta a discussão imediata de um pacote de ajuste, Dario Durigan procura reduzir as preocupações do mercado.

O ministro da Fazenda atribuiu parte da turbulência à necessidade de investidores desfazerem posições financeiras assumidas antes da eleição.

Durigan também informou que se reuniu com Lula para apresentar um balanço das oscilações na Bolsa, no câmbio e nos juros futuros.

Entre as iniciativas mencionadas está uma proposta legislativa destinada a reforçar o compromisso do governo com o centro da meta fiscal.

A medida também buscaria ampliar os instrumentos disponíveis para o contingenciamento de despesas.

Ainda assim, permanece a necessidade de esclarecer quais medidas serão efetivamente encaminhadas e quando poderão produzir resultados.
A conta da incerteza pode chegar à população
O debate sobre responsabilidade fiscal costuma parecer distante da realidade cotidiana, mas suas consequências podem atingir diretamente famílias e empresas.

Quando investidores passam a exigir maior remuneração para financiar o governo, os juros futuros podem subir.

Esse movimento tende a encarecer o crédito, dificultar investimentos e pressionar o custo do financiamento para consumidores e empresas.

Por isso, a discussão não se resume ao desempenho da Bolsa de Valores.

Ela envolve a capacidade do governo de equilibrar despesas, receitas e compromissos sem comprometer a estabilidade econômica.
Lula terá de conciliar promessas e responsabilidade fiscal
A reeleição colocou o presidente diante de um desafio conhecido: atender às demandas sociais e políticas de sua base sem ampliar a desconfiança sobre a trajetória das contas públicas.

Na mesma reunião com parlamentares petistas, Guimarães também defendeu maior fidelidade dos partidos que participarem do governo.

Segundo ele, legendas que ocupam ministérios precisam assumir compromisso mais consistente com as propostas do Executivo.

O posicionamento indica que a reorganização da base parlamentar será uma das prioridades do novo mandato.

Mas a questão econômica permanece.

Depois de uma queda histórica na Bolsa e de uma disparada do dólar, a sinalização de que o ajuste fiscal não está em discussão tende a manter dúvidas sobre os próximos passos do governo.

O desafio de Lula será demonstrar que as prioridades políticas anunciadas são compatíveis com a sustentabilidade das contas públicas.

Fonte: Política Livre
Crédito da foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/Arquivo.

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