Candidatura do senador do PL movimenta os bastidores de Brasília. Oposição tenta formar maioria para mudar o comando da Casa, enquanto Alcolumbre aposta em articulações com o governo Lula e o Centrão.
A disputa pela presidência do Senado Federal em 2027 promete ser uma das mais movimentadas dos últimos anos. E, se depender das articulações da oposição, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) não terá vida fácil para permanecer no comando da Casa.
Um levantamento divulgado nas redes sociais pelo perfil Gu Carvalho apresenta um cenário favorável ao senador Rogério Marinho (PL-RN), com 49 apoios mapeados, contra 32 atribuídos a Alcolumbre. A diferença de 17 parlamentares chama atenção e alimenta as expectativas de uma mudança na direção do Senado.
Os números, entretanto, precisam ser interpretados com cautela. O levantamento não apresenta comprovação individual de todos os compromissos de voto e não equivale a uma contagem oficial. Como a eleição será secreta, apoios projetados não representam necessariamente votos garantidos.
PL aposta em Marinho e oposição aumenta pressão
O Partido Liberal oficializou a candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado nesta quarta-feira (4), em uma movimentação que fortalece a estratégia da oposição para conquistar o comando da Casa.
O senador potiguar, que se consolidou como uma das principais lideranças oposicionistas no Congresso, trabalha para ampliar sua base entre parlamentares de outras legendas.
O objetivo é conquistar a presidência de uma das instituições mais poderosas do país e fortalecer a atuação da oposição no Congresso Nacional.
A estratégia passa por atrair votos do Republicanos, PP, MDB, Podemos, PSD e de outras siglas que não possuem posicionamento uniforme sobre a sucessão.
Nos bastidores, aliados de Marinho apostam nas divergências internas dessas legendas para construir uma maioria capaz de derrotar Alcolumbre.
Alcolumbre aposta no Centrão e no apoio de Lula
Do outro lado, Davi Alcolumbre trabalha para preservar sua influência política e reunir os votos necessários para continuar à frente do Senado.
O parlamentar conta com o apoio de integrantes da base governista, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de setores do Centrão.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à permanência de Alcolumbre, embora parlamentares das próprias legendas apresentem posições divergentes.
A situação revela uma disputa que ultrapassa as divisões tradicionais entre governo e oposição. Em Brasília, acordos partidários, distribuição de espaços políticos e interesses individuais podem pesar tanto quanto o alinhamento ideológico.
E é justamente nesse terreno que Alcolumbre pretende resistir ao avanço da direita.
Tereza Cristina também movimenta a disputa
Outro nome que aparece nas articulações é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), apontada como possível candidata à presidência da Casa.
Sua eventual entrada na corrida preocupa integrantes da oposição, que temem uma divisão dos votos e um caminho mais favorável para Alcolumbre.
A possibilidade de uma composição entre Rogério Marinho e Tereza Cristina também faz parte das conversas políticas.
Uma eventual unificação das candidaturas poderia fortalecer a oposição e ampliar as possibilidades de vitória contra o atual presidente do Senado.
Votação secreta é o grande desafio
Embora o levantamento divulgado indique vantagem de Rogério Marinho, a realidade das urnas poderá ser diferente.
O Senado Federal possui 81 parlamentares, e a eleição para a presidência está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Com a participação de todos os senadores, são necessários pelo menos 41 votos para conquistar a maioria.
O voto secreto permite que parlamentares adotem posicionamentos diferentes daqueles anunciados publicamente.
Por isso, os apoios mapeados não podem ser confundidos com votos garantidos.
A oposição tenta ampliar os compromissos públicos de apoio à candidatura de Marinho, enquanto Alcolumbre trabalha para preservar alianças e conquistar parlamentares que ainda não assumiram posição definitiva.
A disputa promete ser decidida não apenas pela força das bancadas partidárias, mas principalmente pela capacidade de articulação de cada candidato.
O que está em jogo vai muito além da presidência
A eleição para o comando do Senado não representa apenas uma disputa por prestígio político.
O presidente da Casa possui atribuições decisivas na condução dos trabalhos legislativos, na organização das pautas e na tramitação de matérias de grande repercussão nacional.
A discussão também envolve a relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das principais críticas de integrantes da oposição a Alcolumbre diz respeito à condução dos pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Rogério Marinho já defendeu mudanças nas regras para o processamento dessas solicitações, buscando reduzir a concentração dessa decisão nas mãos do presidente do Senado.
Na prática, uma mudança de comando poderá modificar o equilíbrio de forças entre Congresso, Executivo e Judiciário.
Brasília poderá ter uma nova correlação de forças
Com a nova composição do Senado após as eleições de 2026, a oposição acredita ter condições de disputar o controle da Casa em um cenário mais competitivo.
Mas a matemática política ainda está longe de ser definitiva.
Se os 49 apoios atribuídos a Marinho se confirmarem nas urnas, a oposição conquistará uma vitória expressiva. Se Alcolumbre conseguir transformar suas articulações em votos, poderá frustrar os planos dos adversários.
O fato é que a disputa pelo comando do Senado ganha força, com candidaturas, negociações partidárias e movimentações que poderão influenciar diretamente os rumos da política brasileira nos próximos anos.
Depois de tantas articulações e acordos nos corredores de Brasília, a pergunta que fica é simples: o Senado terá uma mudança de comando em 2027 ou Davi Alcolumbre conseguirá manter sua influência e permanecer na presidência da Casa?
A resposta dependerá dos 81 senadores. E, principalmente, do que acontecerá quando as portas se fecharem para a votação secreta.





