A nova fase da operação Compliance Zero colocou no centro das atenções o advogado Daniel Monteiro, preso no âmbito das investigações. O caso, no entanto, ganhou contornos políticos após vir à tona que o profissional havia sido homenageado recentemente pela Assembleia Legislativa da Bahia, com o título de cidadão baiano concedido em dezembro de 2024.
A honraria foi proposta pelo deputado estadual Rosemberg Pinto, líder do governo Jerônimo Rodrigues na ALBA, e destacou a atuação de Monteiro em operações consideradas estratégicas no estado. Entre elas, sua participação na aquisição da Empresa Baiana de Alimentos, a Ebal, estatal responsável pela tradicional rede Cesta do Povo.
A negociação envolveu o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, e resultou na reformulação do modelo da rede, culminando na criação do programa CredCesta. Durante a cerimônia, Rosemberg ressaltou o papel do advogado nas etapas que levaram à reestruturação da iniciativa, apontando sua atuação como relevante para a transição do modelo operacional.
O evento contou ainda com a presença de figuras importantes do governo estadual. Entre os participantes, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, também discursou. Sodré é enteado do senador Jaques Wagner, uma das principais lideranças do PT no cenário nacional e atual líder do governo no Senado.
A revelação de que um personagem agora investigado e preso foi recentemente homenageado em ambiente institucional levanta questionamentos sobre os critérios adotados para concessão de títulos e o grau de proximidade entre agentes públicos e figuras posteriormente envolvidas em investigações.
Embora a homenagem tenha ocorrido antes da atual fase da operação, o episódio evidencia como decisões políticas e institucionais podem ganhar novos significados à luz de fatos posteriores, especialmente quando envolvem personagens com trânsito em operações relevantes e conexões com diferentes esferas de poder.





