O movimento foi silencioso, mas longe de ser irrelevante.
O PP na Bahia decidiu recalibrar sua estratégia em Ilhéus após um ruído que poderia ter virado rompimento. O secretário-geral da sigla, Jabes Ribeiro, confirmou que o partido optou por reorganizar a aliança com o prefeito Valderico Júnior em vez de esticar a corda até o limite.
A origem do impasse é conhecida nos bastidores. Ainda em 2024, o entendimento era claro. Eleito, Valderico apoiaria Cacá Leão para deputado federal. Mas, já no exercício do cargo, o prefeito ampliou o jogo político e abriu espaço para Leur Lomanto Júnior, nome do próprio União Brasil.
Na prática, o que era promessa virou divisão de apoio.
Diante disso, o PP teve que escolher entre o rompimento e a adaptação. Ficou com a segunda opção. Mais pragmática e, sobretudo, mais alinhada com o cenário maior de 2026.
O novo acordo estabelece que Valderico vai apoiar os dois nomes em Ilhéus. Um arranjo que não resolve totalmente o conflito, mas evita um desgaste maior dentro do campo oposicionista.
Por trás dessa decisão existe um fator central. O projeto estadual.
A repactuação não foi construída isoladamente. Ela passa diretamente pela articulação de ACM Neto, que tenta consolidar uma frente mais robusta para a disputa ao Governo da Bahia. A presença do ex-prefeito na procissão de São Jorge serviu como palco simbólico para selar esse entendimento.
Jabes deixou claro o cálculo político. Avalia que Neto chega mais competitivo, especialmente com a possibilidade de apoio de João Roma no primeiro turno, a presença de Ângelo Coronel na chapa e a escolha de Zé Cocá como vice. Um desenho que busca ampliar alcance e reduzir resistências.
Do outro lado, o diagnóstico segue crítico. O governador Jerônimo Rodrigues foi citado em meio a um cenário de insatisfação entre prefeitos e dificuldades nas áreas de segurança, saúde e educação. A crítica não é nova, mas reforça o discurso de oposição que tenta ganhar tração no interior.
No plano local, o PP também avançou. Definiu apoio a Igor Domingues para deputado estadual e já marcou o lançamento da pré-candidatura. O partido quer organizar sua base e evitar novos desalinhamentos.
Mesmo com os ruídos, Jabes adotou um tom moderado ao avaliar a gestão de Valderico. Reconheceu avanços iniciais, mas fez um alerta direto. Ilhéus precisa de planejamento. A cidade se aproxima dos 500 anos e, na leitura do ex-prefeito, ainda falta clareza sobre o futuro.
No fim das contas, o episódio revela mais do que um ajuste local.
Mostra que, na política baiana, alianças não são estáticas. São negociações permanentes. E, quando o projeto maior entra em jogo, até promessas firmadas podem ser reescritas.





