O abandono do pequeno produtor rural voltou ao centro do debate político na Bahia. Durante um evento promovido por federações patronais, em Salvador, ACM Neto responsabilizou diretamente o governador Jerônimo Rodrigues pelo enfraquecimento da assistência técnica oferecida às famílias que vivem da agricultura no estado.
Segundo o ex-prefeito de Salvador, foi Jerônimo, ainda durante sua passagem pela estrutura agrária do governo estadual, quem comandou a extinção da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, a antiga EBDA.
“Foi o atual governador, quando secretário, que extinguiu a EBDA”, afirmou Neto.
A empresa desempenhava um papel importante no acompanhamento técnico dos agricultores, sobretudo dos pequenos produtores, que dependem da orientação do poder público para melhorar a produção, acessar novas tecnologias e enfrentar as dificuldades do campo.
Para ACM Neto, a estrutura que ficou no lugar da EBDA não possui força suficiente para atender às necessidades do setor.
BAHIATER SEM FORÇA
Neto criticou duramente a atual estrutura da Bahiater, classificando o órgão como um departamento sem peso político, representatividade ou capacidade técnica para cumprir a missão de prestar assistência rural em toda a Bahia.
“Existe hoje a Bahiater, que é um departamento da Secretaria de Agricultura sem nenhum peso e representatividade, com enfraquecimento enorme dos quadros técnicos”, declarou.
A fala expõe mais uma fragilidade de uma gestão estadual que, após quase duas décadas no poder, ainda não conseguiu garantir uma política permanente e eficiente de apoio a quem produz no interior.
Na prática, o pequeno agricultor precisa enfrentar sozinho problemas relacionados à produtividade, manejo, financiamento, comercialização e acesso a novas técnicas. Enquanto o governo multiplica discursos e propagandas, falta presença efetiva do Estado nas propriedades rurais.
PRODUTOR QUER TRABALHAR, MAS NÃO ENCONTRA APOIO
ACM Neto afirmou que, durante suas viagens pelo interior da Bahia, tem ouvido relatos recorrentes de agricultores que desejam trabalhar e produzir, mas não encontram o suporte necessário por parte do governo estadual.
“Muitos me abordam e falam da tristeza de ter a vontade de trabalhar, mas não ter o apoio técnico”, contou.
A situação revela uma dura contradição: em um estado com enorme potencial agrícola, famílias que movimentam a economia local e ajudam a colocar alimento na mesa dos baianos continuam sem acompanhamento adequado.
Não se trata apenas de entregar equipamentos ou anunciar programas em períodos eleitorais. Assistência técnica exige profissionais preparados, presença contínua nas comunidades e planejamento de longo prazo.
NETO PROMETE RECONSTRUIR A ASSISTÊNCIA RURAL
Diante do cenário, ACM Neto prometeu reestruturar o órgão estadual responsável pela extensão rural, recompor os quadros técnicos e realizar concursos públicos sempre que necessário.
“Nós vamos reestruturar o órgão e fazer concurso público sempre que necessário para retomar a extensão rural contínua em toda a Bahia”, afirmou.
A proposta busca recuperar um serviço que, segundo Neto, foi desmontado pelo próprio grupo político que governa a Bahia há quase 20 anos.
O compromisso inclui ampliar o atendimento aos pequenos produtores e devolver ao campo uma estrutura capaz de orientar, acompanhar e fortalecer a produção rural.
QUASE 20 ANOS DE PODER E O CAMPO AINDA PEDE SOCORRO
A crítica de ACM Neto atinge diretamente uma das maiores vulnerabilidades do governo petista na Bahia: a distância entre o discurso de defesa dos mais pobres e a realidade enfrentada por quem vive e produz no interior.
Jerônimo Rodrigues chegou ao governo apresentando-se como alguém ligado ao campo e à agricultura familiar. No entanto, de acordo com a acusação feita por Neto, teria sido justamente ele um dos responsáveis pelo enfraquecimento da principal estrutura de apoio técnico ao produtor rural.
Até o momento, o Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues e a Bahiater não apresentaram resposta às declarações divulgadas.
Enquanto o debate político avança, o pequeno produtor segue esperando aquilo que deveria ser obrigação básica do Estado: assistência técnica, orientação e condições para trabalhar com dignidade.

