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Vaias no 2 de Julho acendem alerta no PT da Bahia
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Vaias no 2 de Julho acendem alerta no PT da Bahia

O tradicional desfile do 2 de Julho, maior celebração cívica da Bahia e um dos eventos políticos mais simbólicos do estado, terminou com um recado que dificilmente passará despercebido pelo Palácio de Ondina.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi alvo de vaias durante o cortejo realizado em Salvador. Em um dos momentos registrados por participantes, uma manifestante se aproximou do governador e disparou:

“Seu sorriso vai acabar. Em outubro, você vai vazar, governador.”

Jerônimo afastou a manifestante e seguiu o percurso acompanhado por apoiadores e pela equipe de segurança. Mas o episódio rapidamente ganhou repercussão e passou a ser interpretado nos bastidores como um sinal de desgaste político.

A avaliação publicada pela revista VEJA é de que o episódio acendeu um alerta dentro do PT justamente por ocorrer em um ambiente historicamente favorável ao partido. Há quase duas décadas, a Bahia é governada por gestões petistas e o 2 de Julho sempre foi tratado como uma importante vitrine política para o grupo.

O clima de polarização também atingiu o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que igualmente recebeu manifestações contrárias ao chegar ao desfile. Questionado sobre as vaias, respondeu com naturalidade:

“Aplausos, vaias… isso tudo faz parte da beleza da democracia.”

O cenário acontece às vésperas da disputa eleitoral de 2026, quando Jerônimo deverá buscar a reeleição tendo ACM Neto como principal adversário.

Outro fato que chamou atenção foi a ausência do presidente Lula no cortejo em Salvador. Depois de participar da festa nos últimos anos e transformar o 2 de Julho em agenda política obrigatória, o presidente desta vez optou por cumprir compromissos apenas em Alagoinhas, no dia anterior.

Segundo a reportagem, interlocutores do PT afirmam que a estratégia buscava reduzir a exposição de Lula ao senador Jaques Wagner, cujo nome voltou ao centro das discussões após as investigações relacionadas ao Banco Master.

Apesar disso, Lula participou de agenda ao lado de Wagner no interior da Bahia e voltou a chamá-lo de “irmão”, gesto que, segundo a publicação, provocou desconforto entre integrantes do próprio partido e da equipe responsável pela estratégia eleitoral de 2026.

OPINIÃO SOBERANA

O 2 de Julho sempre foi muito mais do que um desfile. É um termômetro político da Bahia.

Quando as vaias começam a aparecer justamente no ambiente em que o PT sempre encontrou forte apoio popular, é natural que os sinais sejam observados com atenção. Não significa, por si só, uma mudança definitiva no cenário eleitoral, mas mostra que a insatisfação também passou a ocupar espaço nas ruas.

Faltando pouco mais de um ano para a campanha, o governo terá um desafio adicional: convencer um eleitorado que já começa a transformar manifestações cívicas em palco para cobranças políticas.

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