A tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de emplacar o nome de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal terminou em um recado direto do Senado: nem todo nome do Planalto passa mais no automático.
A rejeição da indicação escancarou um cenário que até pouco tempo parecia improvável. Pela primeira vez em seu terceiro mandato, Lula sofre uma derrota clara em uma das decisões mais estratégicas do governo. E não foi qualquer votação. Foi justamente na escolha de um ministro da mais alta Corte do país.
Nos bastidores, o que se viu foi um governo que entrou na disputa confiando mais na tradição do que na articulação. Historicamente, indicações ao STF costumam ser aprovadas com relativa tranquilidade. Mas dessa vez, o roteiro mudou.
Senadores, inclusive de partidos que orbitam a base governista, demonstraram resistência ao nome de Messias. A avaliação dominante é de que faltou construção política. Faltou diálogo. E, principalmente, sobrou confiança de que o carimbo presidencial seria suficiente.
Jorge Messias, atual advogado-geral da União e figura próxima de Lula, era tratado como escolha natural para a vaga. O problema é que, fora do Planalto, essa “naturalidade” não encontrou eco.
O episódio não é apenas uma derrota pontual. Ele revela algo maior: um Congresso mais independente, menos disposto a seguir alinhamentos automáticos e mais atento ao custo político de cada decisão.
Na prática, o governo agora é obrigado a recalcular a rota. Terá que buscar um novo nome que não apenas agrade ao presidente, mas que consiga atravessar o filtro cada vez mais exigente do Senado.
O recado foi dado com clareza. E em alto nível.





