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Jaques Wagner e o novo conceito de “marola”
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Jaques Wagner e o novo conceito de “marola”

Senador tenta afastar suspeitas sobre relação com o Banco Master, atribui acusações ao período eleitoral e afirma que sua evolução patrimonial pode ser comprovada pelas declarações de Imposto de Renda

Alvo de uma investigação que apura uma suposta relação com o Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, resolveu se pronunciar sobre o caso. Em entrevista à Rádio Metrópole, o petista classificou as suspeitas como uma “marola”, negou irregularidades e afirmou que sempre viveu do próprio salário.

Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em junho deste ano, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura se o senador teria atuado politicamente no Congresso Nacional em favor de interesses ligados ao Banco Master e ao ex-sócio da instituição Augusto Lima, inclusive em discussões relacionadas à chamada “Emenda Master”.

Também estão sob apuração suspeitas de eventual recebimento de vantagens indevidas, entre elas um apartamento de luxo em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de supostos repasses financeiros.

Wagner nega qualquer irregularidade.

“Sempre vivi do meu salário”

Ao comentar as suspeitas relacionadas ao seu patrimônio, Jaques Wagner afirmou que sua vida financeira pode ser verificada por meio das declarações apresentadas à Receita Federal.

Segundo o senador, desde que chegou à Bahia sua renda sempre teve origem no próprio trabalho.

Wagner declarou que nunca teve fazenda ou empresa e lembrou que trabalhou no Polo Petroquímico antes de ingressar definitivamente na vida política.

Disse ainda que viveu do salário quando exerceu mandato de deputado federal, posteriormente da remuneração de governador da Bahia e que atualmente recebe o salário de senador, além das aposentadorias decorrentes das contribuições feitas ao longo da vida.

Para o petista, uma análise de suas declarações de Imposto de Renda seria suficiente para esclarecer de onde vieram os recursos que formaram seu patrimônio.

Wagner cita privatização da Cesta do Povo

Outro ponto abordado pelo senador foi a privatização da Cesta do Povo e a posterior trajetória do cartão CrediCesta, que acabaria relacionado ao Banco Master.

Wagner afirmou que a rede foi privatizada em 2018, durante sua gestão, porque, na avaliação do então governador, não fazia sentido o Estado continuar responsável por uma rede de supermercados.

Ao comentar o assunto, chegou a classificar a estrutura como um “trambolho” que não deveria permanecer nas mãos do poder público.

O senador sustenta, porém, que a privatização não pode ser usada para estabelecer uma ligação direta entre seu governo e o Banco Master.

Argumento de Wagner é baseado na cronologia

Para afastar essa associação, Wagner recorreu às datas.

Segundo ele, a operação envolvendo a Cesta do Povo teria ocorrido entre março e abril de 2018, enquanto o Banco Master só teria surgido em outubro de 2019.

Com isso, o senador argumenta que a instituição financeira sequer existia no momento em que a privatização foi realizada pelo governo baiano.

Essa é uma das principais linhas utilizadas pelo petista para contestar as suspeitas envolvendo o caso.

CrediCesta e os consignados

Wagner também comentou a presença do CrediCesta no mercado de empréstimos consignados envolvendo servidores públicos e aposentados da Bahia.

Segundo os números apresentados pelo próprio senador, o cartão representaria cerca de 10% desse mercado, enquanto o Banco do Brasil concentraria aproximadamente 30%.

O argumento apresentado por Wagner é de que o CrediCesta não teria uma posição dominante nas operações de crédito consignado no Estado.

“O trambique foi feito fora da Bahia”, diz senador

Durante a entrevista, Wagner afirmou ainda que eventuais irregularidades relacionadas ao Banco Master teriam acontecido fora da Bahia.

Na versão apresentada pelo petista, a participação do governo estadual teria se limitado ao processo de privatização da Cesta do Povo.

Ele sustenta que os demais fatos investigados não teriam relação com sua atuação no Executivo baiano.

Wagner também atribuiu o avanço das acusações ao momento eleitoral.

Na avaliação do senador, as suspeitas fariam parte de uma tentativa de desgaste político contra alguém com influência tanto na disputa eleitoral da Bahia quanto no cenário nacional.

De alvo de busca a discurso de “marola”

Apesar de minimizar politicamente o episódio e classificar as acusações como “marola”, Jaques Wagner efetivamente foi alvo de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal autorizada pelo STF.

É justamente esse contraste que amplia o peso político do caso.

De um lado, o senador afirma que seu patrimônio é compatível com décadas de salários e aposentadorias, sustenta que o Banco Master não existia na época da privatização da Cesta do Povo e diz que as acusações são potencializadas pelo calendário eleitoral.

Do outro, há uma investigação formal em andamento apurando suspeitas de possível favorecimento político a interesses ligados ao Banco Master e eventual recebimento de vantagens indevidas.

Wagner afirma estar tranquilo, diz que sua defesa trabalha para esclarecer os fatos e que pretende provar sua inocência.

Agora, mais do que discursos de campanha ou acusações entre adversários, caberá às investigações esclarecer qual foi, de fato, a relação entre os personagens envolvidos e se existem elementos concretos capazes de sustentar as suspeitas levantadas no caso.

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