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Debate vira “2 contra 1” e PT e PSOL concentram ataques em ACM Neto
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Debate vira “2 contra 1” e PT e PSOL concentram ataques em ACM Neto

Jerônimo Rodrigues e Ronaldo Mansur miraram o ex-prefeito de Salvador durante boa parte do confronto, enquanto Neto cobrou resultados do governo e relembrou promessas da parceria entre Lula e o governador

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia deixou uma impressão difícil de ignorar: apesar de três nomes estarem no palco, em vários momentos o confronto assumiu a configuração de um verdadeiro “dois contra um” contra ACM Neto (União Brasil).

A avaliação foi destacada por O Antagonista, que classificou a atuação conjunta de Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL) como uma espécie de “dobradinha” contra o principal candidato da oposição.

Enquanto ACM Neto direcionava críticas à atual situação da Bahia e cobrava resultados concretos da gestão estadual, Jerônimo e Mansur recorreram diversas vezes a episódios antigos da trajetória política do ex-prefeito de Salvador e tentaram associá-lo a personagens da política nacional.

Mansur vira linha auxiliar de Jerônimo

Durante boa parte do debate, Ronaldo Mansur adotou um discurso semelhante ao utilizado pelo governador petista contra ACM Neto.

Um dos assuntos repetidos por ambos foi uma declaração feita por Neto ainda em 2005, quando exercia mandato de deputado federal.

Na ocasião, em meio a uma denúncia de que estaria sendo monitorado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ACM Neto afirmou que daria uma “surra” até no então presidente Lula caso alguém tentasse intimidá-lo.

Mais de duas décadas depois, a declaração voltou ao centro do debate estadual.

Jerônimo e Mansur também exploraram repetidamente o fato de ACM Neto ser neto do ex-governador Antonio Carlos Magalhães, tentando relacionar o candidato à antiga estrutura política do chamado carlismo.

Até a violência atual da Bahia virou culpa do “carlismo”

Em um dos momentos mais curiosos do confronto, Ronaldo Mansur buscou relacionar até mesmo os atuais problemas da segurança pública da Bahia ao período do carlismo.

O argumento chama atenção principalmente pelo tempo transcorrido.

O PT governa a Bahia desde 2007. Ainda assim, Mansur sustentou que os governos petistas teriam mantido, ao longo das últimas duas décadas, políticas herdadas do período anterior.

Na prática, o discurso acabou levantando uma questão incômoda para o próprio grupo governista: depois de quase 20 anos no poder, até quando será possível responsabilizar administrações anteriores pelos problemas atuais do estado?

Tentativa de colocar Bolsonaro no debate

Outro movimento recorrente de Mansur foi tentar associar ACM Neto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo O Antagonista, o candidato do PSOL insistiu nessa estratégia ao longo do confronto, chegando a utilizar repetidamente a expressão “genocida lá ele” ao mencionar Bolsonaro.

ACM Neto respondeu deixando claro que seu candidato à Presidência da República é Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás.

Mesmo assim, a tentativa de nacionalizar o debate e vinculá-lo a Bolsonaro apareceu diversas vezes.

Enquanto isso, Neto procurou direcionar o confronto para aquilo que interessa diretamente aos baianos: a administração estadual e os resultados apresentados pelo governo Jerônimo Rodrigues.

Neto leva “buraco do Jerô” para o debate

Entre os problemas apresentados pelo candidato do União Brasil esteve o já conhecido “buraco do Jerô”, apelido dado a uma cratera na BR-324.

ACM Neto voltou a lembrar que Jerônimo Rodrigues chegou a anunciar que o problema estaria sendo solucionado, mas a situação permaneceu no local após a divulgação feita pelo governador.

O episódio acabou se transformando em símbolo da principal crítica feita pela oposição à atual gestão: muito anúncio e pouca entrega percebida pela população.

E a parceria com Lula?

ACM Neto também resgatou uma das principais promessas da campanha de Jerônimo Rodrigues em 2022.

Naquele momento, a campanha petista vendeu aos baianos a ideia de que uma eventual sintonia entre Lula na Presidência e Jerônimo no Governo da Bahia permitiria solucionar problemas históricos do estado e acelerar investimentos.

Agora, Neto questiona onde estariam os resultados dessa parceria.

A cobrança ganha peso porque Lula retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023 e Jerônimo assumiu o Governo da Bahia no mesmo período.

Passados mais de três anos, a oposição tenta transformar a prometida parceria entre os dois governos em um dos principais pontos de desgaste da campanha petista.

“A ponte chegou”, mas a ponte ainda não chegou

Outro episódio lembrado por ACM Neto foi a cerimônia envolvendo uma importante obra de infraestrutura na Bahia.

Lula participou de um evento diante de uma placa com a mensagem “A ponte chegou”, embora a estrutura ainda não estivesse efetivamente construída.

Para Neto, episódios como esse revelam uma estratégia baseada em anunciar projetos antes que as entregas sejam percebidas pela população.

O assunto foi utilizado pelo candidato para reforçar o contraste que pretende estabelecer nesta eleição: propaganda de um lado e resultado concreto do outro.

Neto chama Jerônimo de mentiroso e governador reage

O clima esquentou ainda mais quando ACM Neto chamou Jerônimo Rodrigues de mentiroso.

O governador respondeu levando o embate para uma questão pessoal.

Jerônimo afirmou que estaria sendo maltratado por ser “indígena, filho de vaqueiro” e disse que Neto o trataria da mesma maneira que, segundo ele, “os patrões tratam os trabalhadores e empregados”.

A resposta mudou o foco do confronto naquele momento: em vez de discutir diretamente a acusação apresentada pelo adversário, Jerônimo buscou enquadrar a crítica como uma questão relacionada à sua origem.

Dois contra um?

No fim das contas, o primeiro grande confronto eleitoral da Bahia deixou evidente uma estratégia.

De um lado, ACM Neto buscando colocar Jerônimo Rodrigues diante dos problemas atuais do estado, das promessas feitas em 2022 e das entregas da gestão petista.

Do outro, Jerônimo e Mansur recorrendo ao carlismo, a uma declaração de Neto feita há mais de 20 anos e à tentativa de vinculá-lo a Bolsonaro.

O PSOL entrou no debate como adversário do PT nas urnas, mas, ao menos naquele palco, acabou direcionando parte significativa de sua artilharia justamente para o mesmo alvo escolhido pelo governador.

E aí fica a pergunta que certamente continuará ecoando durante a campanha:

Jerônimo Rodrigues precisa de uma “linha auxiliar” para enfrentar ACM Neto?

Porque, se a intenção era transformar o debate em um confronto de três projetos para a Bahia, em muitos momentos o eleitor assistiu a outra coisa:

PT e PSOL de um lado. ACM Neto do outro.

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