Vereador afirma ter visto “alinhamento muito suspeito” entre o partido e o petista e avalia que ACM Neto foi mais propositivo durante confronto na Band
O debate da Band realizado neste domingo (9) continua rendendo nos bastidores da política baiana. Líder do governo Bruno Reis na Câmara Municipal de Salvador, o vereador Kiki Bispo (União Brasil) acusou o PSOL de protagonizar um verdadeiro “jogo de compadres” com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) durante o confronto eleitoral.
Na avaliação de Kiki, houve um “alinhamento muito suspeito” entre o partido e o candidato petista, enquanto ACM Neto (União Brasil) teria apresentado maior consistência ao discutir propostas para o futuro da Bahia.
Para o vereador, enquanto Neto buscou apresentar ideias e soluções para o estado, Jerônimo não conseguiu responder de maneira convincente sobre o cumprimento de compromissos assumidos anteriormente e teria recorrido à vitimização.
“Ficou muito claro que o conteúdo propositivo das ideias de fato de governar o estado é evidente que o nosso candidato é muito mais propositivo do que o governador Jerônimo, que não conseguiu responder as promessas que ele fez lá atrás e o que ele conseguiu realizar, ficou apenas se vitimando”, afirmou Kiki, em declaração ao BNews.
Saúde, educação e regulação entram na mira
As críticas não ficaram restritas ao desempenho de Jerônimo no debate.
Kiki também apontou problemas da atual gestão estadual em áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e regulação de pacientes.
Segundo o vereador, o governo não conseguiu apresentar resultados proporcionais às necessidades da Bahia. A fila da regulação, que continua sendo alvo constante de críticas da oposição, foi um dos pontos lembrados pelo parlamentar.
Kiki também citou a situação das estradas e afirmou que, apesar de parte delas estar sob responsabilidade federal, existe responsabilidade política do governador diante dos problemas enfrentados pela população baiana.
Na avaliação do líder governista em Salvador, Jerônimo assumiu compromissos de melhorar áreas fundamentais do estado, mas o cenário observado seria de “descaso grande”.
“Jogo de compadres”
O ponto mais duro das declarações de Kiki, no entanto, foi direcionado ao PSOL.
O vereador afirmou ter percebido durante o debate um comportamento excessivamente favorável a Jerônimo Rodrigues, classificando a situação como um “jogo de compadres muito bem definido”.
Para Kiki, o alinhamento teria ficado perceptível para quem acompanhou o confronto eleitoral.
A acusação reforça uma discussão que ganhou força após o debate: até que ponto a participação do PSOL representaria de fato uma candidatura independente no campo da esquerda ou acabaria funcionando politicamente em benefício da campanha petista.
Kiki lembra aproximação de Boulos com Jerônimo
Para sustentar sua crítica, Kiki também lembrou a passagem do ministro Guilherme Boulos, nome nacional do PSOL, pela Bahia.
Segundo o vereador, Boulos demonstrou maior proximidade com a candidatura de Jerônimo Rodrigues durante sua participação em atividades ligadas ao Programa de Governo Participativo (PGP) do petista do que com a candidatura de Ronaldo Mansur.
“Talvez seja por isso que o próprio Boulos quando veio aqui fez questão de simpatizar com a candidatura de Jerônimo e não com o candidato Ronaldo Mansur”, declarou.
A fala coloca ainda mais pressão sobre a independência política do PSOL na disputa estadual, especialmente diante da proximidade nacional entre setores do partido e o governo do presidente Lula.
Ausência de Mansur também foi criticada
Apesar das críticas ao PSOL, Kiki lamentou a ausência de Ronaldo Mansur no debate.
Segundo ele, a participação do candidato poderia ter contribuído para elevar o nível das discussões, levando em consideração a tradição do PSOL em debates políticos e ideológicos.
Para o vereador, a ausência de Mansur acabou representando uma perda para o confronto.
Neto mais propositivo, segundo Kiki
Na avaliação geral feita pelo vereador após o debate, ACM Neto saiu melhor no campo das propostas.
Kiki defendeu que o ex-prefeito de Salvador mostrou maior preparo para discutir os problemas do estado, enquanto Jerônimo teria enfrentado dificuldades principalmente ao ser confrontado sobre aquilo que prometeu e sobre os resultados efetivamente entregues pelo governo.
O embate acontece em um momento decisivo da disputa pelo Governo da Bahia, no qual governo e oposição tentam transformar o desempenho nos primeiros debates em combustível político para a campanha.
As declarações de Kiki acrescentam agora um novo elemento à disputa: a acusação de que, apesar de formalmente apresentar candidatura própria, o PSOL estaria atuando de maneira politicamente conveniente para Jerônimo.
Câmara terá votação sobre Fundef e trabalhadores do transporte
Além da repercussão eleitoral, Kiki Bispo também falou sobre a agenda da Câmara Municipal de Salvador.
Segundo o vereador, dois projetos considerados importantes devem chegar ao plenário nesta quarta-feira (12).
Um deles trata dos precatórios do Fundef e prevê o pagamento de indenizações aos professores. A proposta, segundo Kiki, foi construída em conjunto com a APLB e depende da aprovação dos vereadores.
O parlamentar afirmou que o assunto já passou por discussão no Colégio de Líderes e que pretende solicitar a votação da matéria.
Outro projeto envolve a desapropriação de terrenos considerados necessários para possibilitar a indenização de trabalhadores do sistema de transporte coletivo de Salvador.
A expectativa é de que as duas matérias sejam apreciadas pelo Legislativo municipal na sessão desta quarta-feira.





