Com a maior bancada prevista para 2027, partido de Jair Bolsonaro tenta ampliar sua influência no Congresso, mas enfrenta a articulação de Davi Alcolumbre, que já reúne apoios importantes para permanecer no comando da Casa.
A disputa pelo comando do Senado Federal começa a ganhar força nos bastidores de Brasília. O Partido Liberal (PL) marcou para a próxima quarta-feira, 4 de novembro, uma reunião estratégica para definir se lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência da Casa em fevereiro de 2027.
O encontro deverá reunir parlamentares em exercício e senadores eleitos em outubro, em uma tentativa de construir uma posição conjunta sobre a sucessão no Senado e as articulações para o comando da Câmara dos Deputados.
A movimentação ocorre em um momento decisivo para o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que pretende transformar sua força parlamentar em influência efetiva sobre as decisões do Congresso Nacional.
Maior bancada não significa vitória garantida
O PL deverá iniciar a legislatura de 2027 com a maior bancada do Senado. As projeções divulgadas pela imprensa apontam entre 28 e 29 parlamentares ligados à legenda, número que ainda exige confirmação na composição definitiva da Casa.
Apesar da vantagem, o partido não terá votos suficientes para eleger sozinho o próximo presidente.
O Senado possui 81 integrantes, e são necessários pelo menos 41 votos para garantir a presidência em uma votação com todos os parlamentares presentes.
Isso significa que, mesmo com a maior bancada, o PL dependerá de negociações com outras siglas para conquistar o comando da instituição.
O desafio será transformar o crescimento político da legenda em uma maioria capaz de enfrentar os acordos já construídos pelo atual presidente do Senado.
Alcolumbre articula permanência e reúne apoios
Enquanto o PL avalia o lançamento de Rogério Marinho, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), trabalha para garantir sua permanência no cargo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Alcolumbre recebeu sinalizações de apoio de partidos como MDB, PSD e PT.
Além disso, União Brasil e Progressistas anunciaram, em 27 de outubro, apoio à sua recondução.
A composição revela uma característica recorrente da política brasileira: alianças em torno do comando do Congresso nem sempre seguem as mesmas divisões ideológicas que marcam as disputas eleitorais.
Para Alcolumbre, a estratégia é ampliar sua base de sustentação antes da votação, reduzindo o espaço para uma candidatura competitiva da oposição.
Tereza Cristina também aparece nas articulações
Outro nome mencionado nas negociações é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), considerada por integrantes da oposição uma possível alternativa para a presidência do Senado.
A possibilidade, entretanto, enfrenta obstáculos políticos.
O anúncio de apoio do Progressistas à permanência de Alcolumbre dificulta uma eventual candidatura da parlamentar, embora não elimine completamente essa possibilidade.
Nos bastidores, uma das preocupações é evitar que diferentes candidaturas de oposição dividam os votos e facilitem a vitória do atual presidente.
É justamente nesse cenário que Rogério Marinho ganha importância.
O senador potiguar representa uma alternativa para o PL, mas sua eventual candidatura dependerá da capacidade de reunir apoios para além da própria legenda.
Anistia a Bolsonaro também entra nas conversas
A discussão sobre a presidência do Senado ocorre em meio às articulações envolvendo uma eventual proposta de anistia que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com relatos de parlamentares publicados pelo Metrópoles, Alcolumbre teria sinalizado a possibilidade de discutir o tema.
Entretanto, não existe confirmação de um compromisso formal do presidente do Senado com a aprovação de uma proposta dessa natureza.
A questão é politicamente relevante porque o ocupante da presidência do Senado exerce influência direta sobre a organização dos trabalhos legislativos e a definição das matérias que avançam na Casa.
Para setores da oposição, a posição do futuro presidente em relação à anistia poderá pesar nas negociações.
Ainda assim, qualquer eventual aprovação dependerá do conteúdo da proposta, de sua tramitação e dos votos necessários no Congresso.
Eleição será em fevereiro de 2027
A escolha do próximo presidente do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando terá início a nova legislatura.
A votação será secreta, permitindo que os senadores escolham seus candidatos sem obrigação de seguir a orientação das respectivas legendas.
Esse detalhe aumenta a importância das articulações individuais e torna mais difícil prever o resultado apenas com base nos apoios anunciados publicamente.
Até lá, o cenário poderá sofrer alterações conforme avançarem as negociações entre os partidos.
O poder do Senado está em jogo
A presidência do Senado vai muito além de uma disputa por prestígio político.
Quem ocupa o cargo exerce influência sobre a pauta legislativa, conduz as sessões e desempenha papel central na tramitação de projetos e propostas de interesse nacional.
Além disso, o presidente do Senado também preside o Congresso Nacional, posição estratégica nas relações entre o Legislativo e o Poder Executivo.
Para o PL, conquistar esse espaço significaria ampliar sua capacidade de influência sobre decisões importantes para o país.
Para Alcolumbre, permanecer no cargo representaria a continuidade de uma articulação política que reúne partidos de diferentes campos ideológicos.
A questão central é saber se o PL conseguirá transformar sua força nas urnas em poder dentro do Senado ou se os acordos de Brasília falarão mais alto.
A reunião de 4 de novembro deverá indicar qual caminho o partido pretende seguir: lançar Rogério Marinho, buscar uma candidatura de consenso ou negociar outra composição para a eleição.
Fontes: Metrópoles, Bahia Notícias, Itatiaia e PlatôBR.





