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Áudio atribuído a sindicalista expõe suposto plano para adesivar ônibus e prejudicar transporte nas eleições
LEM - O SOBERANO DA BAHIA

Áudio atribuído a sindicalista expõe suposto plano para adesivar ônibus e prejudicar transporte nas eleições

Gravação atribuída ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador aponta articulação para adesivar veículos durante o segundo turno. Prefeitura afirma que a retirada da propaganda eleitoral interferiu na operação do transporte público.

Gravação atribuída ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador aponta articulação para adesivar veículos durante o segundo turno. Prefeitura afirma que a retirada da propaganda eleitoral interferiu na operação do transporte público.

O que deveria ser um domingo de votação tranquila em Salvador acabou cercado por uma polêmica que levanta questionamentos sobre os limites da atuação político-sindical durante as eleições. Um áudio atribuído a Fábio Primo, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, revela orientações para uma ação coordenada de adesivagem de ônibus na madrugada do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.

A gravação, divulgada pelo jornal Correio, apresenta detalhes de uma mobilização que envolveria integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), com distribuição de responsabilidades entre participantes e organização das atividades nas garagens das empresas de transporte coletivo.

O episódio ganha contornos ainda mais preocupantes diante das informações da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob), que apontou interferências na operação do transporte público em razão da necessidade de retirar propaganda eleitoral dos veículos.
Uma operação planejada dentro das garagens
O conteúdo atribuído ao dirigente sindical indica que a adesivagem não seria uma iniciativa improvisada. As orientações mencionam a divisão de tarefas, a distribuição de material e a indicação de responsáveis pela atuação nas garagens.

Um dos trechos mais relevantes da gravação, conforme a reportagem, trata da necessidade de identificar quais ônibus efetivamente entrariam em circulação no domingo eleitoral.

Como a quantidade de adesivos seria insuficiente para alcançar toda a frota, a orientação era priorizar justamente os veículos programados para transportar passageiros.

Esse detalhe merece atenção.

Por que concentrar a mobilização nos ônibus que estariam nas ruas no dia da votação? Quem coordenou a distribuição das equipes? E quais medidas foram adotadas para garantir que a ação não comprometesse o funcionamento de um serviço essencial?

São questionamentos que precisam ser esclarecidos.
Transporte prejudicado no dia da eleição
Segundo a Semob, a presença de propaganda eleitoral nos veículos exigiu a retirada dos materiais, provocando dificuldades na operação do transporte público durante a manhã do segundo turno.

A administração municipal informou que havia planejado a circulação dos ônibus nos mesmos moldes do primeiro turno, quando não teriam ocorrido problemas significativos.

Entretanto, a necessidade de remover os adesivos interferiu na execução do planejamento.

A reportagem do Correio também apresenta imagens identificadas como registros de câmeras de segurança, nas quais pessoas aparecem colocando adesivos nos ônibus dentro das garagens durante a madrugada.

A combinação entre as orientações descritas no áudio, as imagens divulgadas e os problemas relatados pela Prefeitura reforça a necessidade de apuração.

Isso não significa, entretanto, que esteja comprovada uma intenção deliberada de prejudicar o transporte. A gravação, por si só, não demonstra que provocar atrasos fosse o objetivo da mobilização.
Propaganda política pode se sobrepor ao direito de ir e vir?
A discussão ultrapassa a disputa entre grupos políticos.

O transporte coletivo é um serviço essencial, especialmente em um domingo de eleição, quando milhares de cidadãos dependem dos ônibus para chegar aos locais de votação.

A participação de sindicatos no debate político é legítima. O direito de manifestação também é assegurado pela Constituição. Mas nenhum desses direitos elimina a necessidade de respeitar as regras eleitorais e preservar a prestação dos serviços públicos.

Se uma mobilização organizada dentro das garagens contribuiu para atrasar a circulação dos ônibus, é necessário esclarecer as responsabilidades e verificar se houve irregularidades.

Também é indispensável apurar quem autorizou a colocação dos materiais, quais veículos foram atingidos e qual foi o impacto efetivo sobre os passageiros.
O que ainda precisa ser esclarecido
Até o momento, as informações divulgadas não permitem afirmar que a autenticidade do áudio tenha sido comprovada de maneira independente ou que o dirigente sindical tenha reconhecido a gravação.

Também não há, nos elementos apresentados, dados conclusivos sobre a quantidade de ônibus adesivados, o número de passageiros prejudicados ou a existência de responsabilização formal dos envolvidos.

Essas lacunas tornam ainda mais importante a apuração dos fatos, com espaço para manifestação do sindicato, da CTB, das empresas de transporte e dos órgãos competentes.
Quando a disputa política chega ao transporte público
O episódio coloca em discussão uma questão que não deveria depender de preferência partidária: até onde pode ir uma mobilização política quando sua execução interfere na rotina de milhares de cidadãos?

A liberdade de manifestação não está acima da legislação eleitoral. Da mesma forma, a existência de uma gravação atribuída a um dirigente sindical não autoriza condenações antecipadas.

O que existe, até aqui, é uma denúncia relevante, acompanhada de informações sobre uma ação organizada e de relatos oficiais de dificuldades na operação do transporte.

O que não pode acontecer é o interesse político se sobrepor ao direito da população de utilizar um serviço público essencial.

Em uma democracia, o eleitor precisa ter liberdade para escolher seus representantes. E essa liberdade começa, também, pela garantia de que ele consiga chegar à urna.

Fonte: Jornal Correio

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