Deputado aponta contradição na postura de setores políticos diante da suspensão do transporte coletivo e questiona a ausência de cobranças ao governo estadual.
A violência que atinge bairros de Salvador voltou a comprometer um dos direitos mais básicos da população: o de ir e vir.
Na quinta-feira (29), a interrupção da circulação de ônibus em regiões da capital baiana provocou críticas do deputado estadual Sandro Régis (União Brasil), líder do partido na Assembleia Legislativa da Bahia.
O parlamentar questionou o que considera um silêncio seletivo de setores da esquerda diante da situação enfrentada por moradores do Nordeste de Amaralina e de Mirantes de Periperi.
Segundo Sandro Régis, enquanto manifestações políticas relacionadas ao transporte público ganharam destaque durante o segundo turno das eleições presidenciais, a paralisação de linhas provocada pela insegurança não recebeu a mesma mobilização.
Quando a violência impede o direito de ir e vir
De acordo com o deputado, moradores do Nordeste de Amaralina enfrentavam quatro dias de dificuldades relacionadas à circulação do transporte coletivo.
Em Mirantes de Periperi, a interrupção também foi registrada na quinta-feira.
A situação afeta diretamente trabalhadores, estudantes e famílias que dependem diariamente dos ônibus para cumprir seus compromissos.
Para quem precisa sair cedo de casa, a suspensão do transporte não representa apenas um transtorno. Pode significar a perda de um dia de trabalho, a impossibilidade de chegar à escola ou dificuldades para acessar serviços essenciais.
Sandro Régis questiona postura da esquerda
O parlamentar classificou como hipócrita a diferença entre a mobilização política observada durante o período eleitoral e a reação diante das interrupções provocadas pela violência.
Na avaliação de Sandro Régis, a ausência de cobranças mais contundentes ao governo estadual revela uma contradição no discurso de setores políticos que afirmam defender o direito da população ao transporte público.
O deputado também acusou esses grupos de tratar o assunto de maneira diferente conforme o contexto político.
As declarações representam a avaliação do parlamentar e reacendem o debate sobre a responsabilidade dos governantes e a coerência das cobranças feitas por diferentes setores da sociedade.
O problema não começou agora
A interrupção de linhas de ônibus por questões de segurança não é um episódio isolado em Salvador.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), divulgados pelo Política Livre, a capital baiana registrou 73 interrupções na circulação de coletivos entre janeiro e agosto de 2025.
As ocorrências atingiram 33 bairros.
Os números ajudam a dimensionar um problema que ultrapassa o episódio desta semana e demonstra como a insegurança interfere diretamente na rotina da cidade.
Segurança pública precisa estar acima da disputa política
A crítica de Sandro Régis expõe uma questão que merece atenção: o direito ao transporte público deve ser defendido com a mesma intensidade, independentemente de quem esteja no governo.
A segurança pública é uma responsabilidade central do Estado, e a população precisa de respostas concretas para conseguir circular sem medo.
O debate político é legítimo, mas não pode substituir a busca por soluções.
Enquanto governo e oposição discutem responsabilidades, moradores continuam enfrentando as consequências da violência.
Afinal, se a suspensão de ônibus durante uma eleição merece indignação, por que a interrupção do transporte provocada pela insegurança não deveria receber a mesma atenção?
Essa é uma cobrança que precisa ser feita a todos os envolvidos na condução da segurança pública da Bahia.





