PF mira Wagner na Bahia

O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a ocupar o centro da política baiana e nacional. Nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a Polícia Federal realizou uma ação de busca e apreensão na residência do senador Jaques Wagner, no Corredor da Vitória, em Salvador. Wagner é líder do governo Lula no Senado e uma das principais lideranças do PT na Bahia.

Segundo a apuração publicada pelo Bahia Notícias, com base em informações da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, a PF busca aprofundar indícios de que Wagner teria recebido vantagens ligadas ao Banco Master. Entre os pontos investigados estão supostos pagamentos feitos por meio de empresa ligada à enteada do senador, viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro e um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões no Horto Florestal, bairro nobre de Salvador.

A enteada citada é Bonnie Bonilha. De acordo com a matéria, ela teria recebido cerca de R$ 11 milhões do Banco Master por meio de um contrato de consultoria. Também aparecem na apuração mensagens entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, além de documentos sobre os pagamentos feitos à familiar do senador.

Outro nome que entrou no radar da operação foi Eduardo Sodré, marido de Bonnie Bonilha e secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia. A presença de um integrante do governo estadual entre os alvos amplia o alcance político do caso e aproxima a investigação do núcleo petista baiano.

A suspeita da PF vai além dos pagamentos. Os investigadores também apuram se Wagner teria atuado politicamente para favorecer interesses do Banco Master, incluindo a tentativa de aprovação da compra do banco pelo BRB e articulações no Senado em torno da chamada “emenda Master”. A proposta, apresentada pelo senador Ciro Nogueira, buscava elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para aplicações em CDBs — justamente um dos produtos centrais nos negócios do Master.

A leitura política é inevitável: a operação atinge um senador experiente, ex-governador da Bahia, ex-ministro e hoje peça-chave da articulação de Lula no Congresso. Para o PT, o caso representa desgaste em Brasília e também na Bahia, onde Wagner segue como um dos principais símbolos do grupo que governa o estado há quase duas décadas.

Ainda há investigação em andamento, e cabe às autoridades comprovar ou não as suspeitas levantadas. Mas o fato político já está posto: quando uma apuração sobre um banco chega a pagamentos milionários, imóvel de luxo, jatinho, familiar de senador e articulação no Congresso, o caso deixa de ser técnico e vira uma crise de poder.

Fechamento Soberano

O Banco Master pode até ter começado como um problema do mercado financeiro. Mas, quando a PF bate à porta de Jaques Wagner, o recado muda de tamanho: agora, a investigação entrou no coração político do PT baiano.

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