O Senado deve votar nesta terça-feira (16) o projeto que propõe transferir simbolicamente a sede do governo federal para Salvador no dia 2 de Julho, data que marca a Independência da Bahia. A proposta, de autoria do deputado federal Leo Prates, já foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março e agora será analisada pelo plenário do Senado.
O texto prevê que, todos os anos, durante as comemorações do 2 de Julho, Salvador passe a abrigar simbolicamente a sede do governo federal. A medida envolve os três Poderes da União: Executivo, Legislativo e Judiciário. Apesar disso, a mudança não afetaria o funcionamento essencial da estrutura federal em Brasília.
Na prática, a transferência ficaria restrita aos atos oficiais e simbólicos ligados à data. A organização da logística, segurança e infraestrutura caberia ao Poder Executivo, em articulação com os demais Poderes, o governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador.
No Senado, o projeto tem relatoria do senador Jaques Wagner, que manteve o texto aprovado pela Câmara. O petista defende que a proposta reconhece a importância histórica da Bahia na consolidação da Independência do Brasil, especialmente pela expulsão definitiva das forças portuguesas do território baiano.
Leo Prates justifica a proposta como uma forma de valorizar o papel do povo baiano na formação do Estado brasileiro. Para o deputado, a transferência simbólica da capital federal para Salvador ajuda a resgatar a memória histórica nacional e coloca o protagonismo da Bahia no lugar que ele considera devido.
Wagner também destacou que esse tipo de transferência temporária da sede do governo federal não é inédita. Salvador já recebeu essa estrutura em 1993, durante a 3ª Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Mais recentemente, Belém também foi sede simbólica do governo federal durante a COP-30.
A proposta tem forte peso simbólico. O 2 de Julho é tratado na Bahia como uma das datas mais importantes da história nacional, por representar não apenas uma celebração regional, mas a consolidação prática da independência brasileira.
No discurso político, a votação também recoloca Salvador no centro do debate nacional. Primeira capital do Brasil e palco de momentos decisivos da formação do país, a cidade pode passar a receber, todos os anos, uma homenagem institucional ao seu papel histórico.





