A investigação sobre a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste ganhou um novo capítulo. João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, passou a ser apontado como suspeito de lavagem de dinheiro no inquérito que apura o destino dos recursos pagos pela compra de equipamentos que nunca foram entregues.
O caso remonta a 2020, no auge da pandemia, quando o Consórcio Nordeste, então presidido por Rui Costa, à época governador da Bahia, fechou a compra de respiradores pulmonares. O contrato girava em torno de R$ 48 milhões, mas os equipamentos não chegaram aos estados.
Segundo as informações reveladas, a Controladoria-Geral da União aponta uma possível ocultação de R$ 5 milhões. A suspeita é que Mansur tenha atuado como operador financeiro de um lobista ligado à venda dos respiradores. Dois fundos ligados à Reag também aparecem na apuração sobre a movimentação dos valores.
O inquérito investiga possíveis crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais, crimes licitatórios e organização criminosa. A empresa Hempcare, originalmente voltada ao setor de medicamentos à base de cannabis, foi contratada para fornecer os respiradores, recebeu pagamento antecipado, mas não entregou os equipamentos.
O episódio já era politicamente sensível para Rui Costa por envolver uma negociação feita durante sua gestão à frente do Consórcio Nordeste. Agora, a Procuradoria-Geral da República defende que o caso volte ao Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de que a suposta ocultação de dinheiro pode ter continuado no período em que Rui já exercia o cargo de ministro da Casa Civil.
A tese da PGR trata a possível ocultação de valores como crime permanente. Na prática, isso significa que a apuração poderia alcançar períodos posteriores à compra dos respiradores, o que justificaria a competência do STF, já que Rui Costa atualmente possui foro na Corte.
Apesar disso, há um ponto importante no histórico do caso: o Tribunal de Contas da União já havia afastado a responsabilidade de Rui Costa em processo relacionado ao episódio, arquivando a apuração contra ele e Carlos Eduardo Gabas. O TCU, no entanto, determinou medidas para buscar a recuperação dos valores pagos à Hempcare.
A entrada do fundador da Reag no radar da investigação amplia o alcance do caso e desloca parte do foco para o caminho do dinheiro. Mais do que a compra mal sucedida dos equipamentos, a apuração agora tenta responder uma pergunta central: para onde foram os recursos públicos pagos por respiradores que nunca chegaram?





