O São João de 2026 não foi apenas de forró, fogueira e bandeirola na política baiana. Também foi de ausência, silêncio e cálculo.
Depois de ser alvo da Polícia Federal em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de pagamentos ligados ao Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT) decidiu não participar dos festejos juninos na Bahia. A operação apura movimentações relacionadas ao banco de Daniel Vorcaro e ao ex-sócio dele, o banqueiro baiano Augusto Lima.
A ausência de Wagner chamou atenção. Não apenas pelo peso político do senador, mas pelo simbolismo da data. Na Bahia, o São João é vitrine popular, agenda de interior e palco eleitoral antecipado. Em ano pré-eleitoral, não aparecer também comunica.
Mas Wagner não foi o único a ficar longe das ruas. Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil e figura central do grupo petista baiano, também evitou os festejos juninos, mesmo sem ser alvo da investigação. Segundo o Política Livre, da chapa majoritária petista, apenas o governador Jerônimo Rodrigues manteve agenda pública no período.
Rui tentou compensar a ausência física com presença digital. Sua equipe publicou pelo menos três postagens alusivas ao São João, buscando manter sua imagem ligada à tradição da festa. Mas nenhuma delas teve aparição em vídeo do ex-ministro.
Já Wagner ficou ainda mais discreto. Nas redes do senador, não houve menção ao São João. A publicação feita no feriado foi justamente o anúncio de sua saída da liderança do governo Lula no Senado, após conversa com o presidente em Brasília.
Enquanto os dois principais nomes do PT baiano se recolheram, Jerônimo Rodrigues tentou ocupar o espaço. O governador circulou pelo interior, passou pelo São João de Irecê, fez entregas em Riacho de Santana e Irajuba, esteve em Cabaceiras do Paraguaçu e ainda cumpriu agenda em Senhor do Bonfim, Jaguarari e Serrinha.
A leitura política é inevitável: o caso Master jogou sombra sobre o grupo petista no momento em que a presença pública mais importa. Wagner, atingido diretamente pela operação, saiu de cena. Rui, mesmo fora do alvo formal, também preferiu a cautela. Jerônimo ficou praticamente sozinho tentando sustentar a imagem de normalidade.
Enquanto isso, a oposição ganhou espaço. A matéria aponta que a ausência dos petistas abriu caminho para ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, assumir protagonismo nas agendas juninas.
No fim, o São João revelou mais do que a tradição da festa. Mostrou o desconforto de um grupo político pressionado, tentando administrar o impacto de uma investigação que já provoca efeitos além de Brasília.
Na Bahia, quando político some do São João, o recado raramente passa despercebido.





