O caso Banco Master chegou com força à política baiana, mas produziu um efeito curioso: em vez de barulho, provocou silêncio.
Segundo informações publicadas pelo Política Livre, com base em apuração de O Globo, adversários históricos do PT na Bahia têm evitado explorar politicamente a operação da Polícia Federal que mira o senador Jaques Wagner. O motivo seria simples e incômodo: o escândalo pode respingar em mais de um lado.
Wagner é investigado pela PF sob suspeita de ter atuado em defesa de interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima, o Guga, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração envolve supostos benefícios recebidos pelo senador, entre eles uso de aeronaves, ingressos para eventos internacionais e um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões.
O petista nega irregularidades. Afirma que não recebeu recursos da instituição financeira e que não atuou para favorecer o banco.
Mas o caso não para em Wagner.
A matéria também aponta que ACM Neto, principal nome da oposição ao governo do PT na Bahia, adotou tom cauteloso ao comentar o episódio. Questionado por jornalistas, Neto disse que o caso cabe ao Judiciário, defendeu uma investigação completa e isenta e afirmou que, se houver culpados, eles devem ser punidos.
Na prática, nada de ataque frontal.
E é aí que entra o ponto mais sensível da história. O próprio ACM Neto também teve o nome associado ao Banco Master após a divulgação de documentos apresentados por Daniel Vorcaro à Receita Federal. Segundo os registros citados pela reportagem, a empresa de consultoria do ex-prefeito teria recebido R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.
Neto afirma que os contratos foram legais e que os serviços prestados envolviam análise de conjuntura política e econômica nacional. Também sustenta que nenhuma das pessoas ligadas ao banco ocupava cargo público no momento da contratação.
Ou seja: a oposição tem munição contra Wagner, mas também tem telhado de vidro. E, em ano eleitoral, ninguém quer ser o primeiro a jogar pedra.
A exceção, segundo a matéria, foi João Roma, presidente estadual do PL e candidato ao Senado. Aliado de ACM Neto, Roma adotou tom mais duro, classificou as suspeitas contra Wagner como graves e defendeu que as investigações avancem com independência.
Nas redes sociais, Roma também criticou a postura do senador petista e afirmou que o mais espantoso seria a forma “debochada” com que Wagner teria tratado o assunto ao longo dos últimos anos.
O caso ocorre em um momento decisivo para a política baiana. O governador Jerônimo Rodrigues deve tentar a reeleição contra ACM Neto, repetindo o confronto de 2022, quando o petista venceu no segundo turno com 52,8% dos votos.
No Senado, o campo governista trabalha com os nomes de Jaques Wagner e Rui Costa. Já a oposição articula João Roma e Angelo Coronel.
A disputa, que já era equilibrada, agora ganha um ingrediente explosivo: um escândalo que pode atingir o coração do PT, mas que também deixa a oposição desconfortável.
A investigação também passa pela chamada “emenda Master”, que teria relação com a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Segundo a apuração, Wagner teria apresentado, em 2022, uma emenda que poderia beneficiar interesses do banco. O senador contesta e afirma que sua atuação parlamentar seguiu critérios técnicos e institucionais.
Outro ponto importante é a relação entre Augusto Lima e o governo baiano. A matéria lembra que a trajetória empresarial de Guga com o poder público passa pela privatização da Ebal, durante a gestão de Rui Costa. Depois, Lima passou a operar o Credcesta, cartão consignado voltado para servidores públicos, negócio que posteriormente teria sido expandido nacionalmente em parceria com o Banco Master.
As investigações seguem sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
No fim das contas, a principal informação política talvez não esteja apenas na operação contra Wagner, mas no comportamento dos seus adversários.
Porque quando um escândalo dessa proporção não vira arma imediata de campanha, é sinal de que tem mais gente calculando o tamanho do estrago.
Na Bahia, o Banco Master virou uma bomba.
Mas, por enquanto, quase ninguém quer acender o pavio.





