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Jerônimo sanciona dívida bilionária da Embasa
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Jerônimo sanciona dívida bilionária da Embasa

O governo Jerônimo Rodrigues acaba de colocar mais uma conta bilionária na mesa dos baianos.

O governador sancionou o projeto que autoriza a Embasa a contratar um empréstimo de R$ 5,49 bilhões junto à Caixa Econômica Federal. A justificativa oficial é conhecida: obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário em diversas regiões da Bahia.

Até aí, ninguém discute que saneamento é prioridade. Água tratada e esgoto digno são direitos básicos. O problema é que, na Bahia, cada nova promessa parece vir acompanhada de uma nova dívida.

Com essa operação, a gestão Jerônimo chega à 24ª operação de crédito desde o início do mandato. O volume total já ultrapassa R$ 32 bilhões. Sim, bilhões. Não é troco de gabinete, nem ajuste pequeno de orçamento. É dinheiro pesado, que entra hoje como solução, mas volta amanhã como cobrança.

A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado após a aprovação do projeto na Assembleia Legislativa da Bahia, em regime de urgência. Ou seja, o governo acelerou a tramitação para liberar mais uma operação bilionária, sem o debate mais amplo que um valor dessa magnitude mereceria.

E nem mesmo a base governista conseguiu passar ilesa pelo episódio. Antes da aprovação, a votação chegou a travar por falta de quórum dos próprios aliados do governo. Um constrangimento político que revelou, mais uma vez, que até dentro da base há momentos em que o entusiasmo com tanto empréstimo parece não ser tão automático assim.

O Palácio de Ondina vende a ideia de investimento. A oposição enxerga endividamento em ritmo preocupante. No meio desse cabo de guerra, está o baiano, que escuta anúncio atrás de anúncio, obra atrás de obra prometida, empréstimo atrás de empréstimo aprovado, mas continua convivendo com problemas antigos na saúde, na segurança, na educação, nas estradas e no saneamento.

A pergunta é simples: se a Bahia já passou de R$ 32 bilhões em operações de crédito, onde está a transformação proporcional a esse volume de dinheiro?

Porque pedir empréstimo é fácil quando a conta não chega no mesmo dia. Difícil é explicar, com clareza, onde cada bilhão será aplicado, qual obra será entregue, em que prazo, com qual fiscalização e com qual impacto real na vida da população.

O novo empréstimo da Embasa pode até ter uma finalidade nobre no papel. Mas, politicamente, ele reforça uma marca incômoda da atual gestão: Jerônimo governa recorrendo sucessivamente ao crédito. E quando um governo transforma empréstimo em rotina, a Bahia tem o direito de ligar o sinal de alerta.

Investimento público é necessário. Saneamento é urgente. Mas responsabilidade também é.

Afinal, dinheiro emprestado não é presente. É dívida. E dívida pública, no fim das contas, não é paga por governador, secretário ou deputado. Quem paga é o contribuinte.

Na Bahia de Jerônimo, o discurso fala em futuro. A conta, como sempre, fica para o povo.

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